Território de cidadania: ensaios de gestão pública compartilhada na mata atlântica
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Autor(es)
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Doralice Barros Pereira
Andre Velloso Batista Ferreira
Jose Geraldo Pedrosa
Raul Francisco Magalhães
Andre Velloso Batista Ferreira
Jose Geraldo Pedrosa
Raul Francisco Magalhães
Resumo
A Mata Atlantica e o dominio em que habita esta pesquisa-acao. Antes, muito mais, abriga cinco seculos da geografia de uma nacao que extraiu daquela mesmo seu nome, Brasil. O impacto desta historia: em apenas 8% das florestas remanescentes, ilhas de megadiversidade biologica configuram um dos 25 hotspots mundiais pontos do planeta que mais concentram especies endemicas e ameacadas de extincao. Situacao analoga, quanto a diversidade cultural: a fragmentacao do bioma resultou na extincao de linguas e etnias, no isolamento dos povos nativos e na invisibilidade de seus saberes. Neste universo, uma utopia transescalar se desenha. A sustentabilidade deste dominio e a manutencao de suas diversidades sao objetivos de iniciativas locais, regionais e internacionais que se interconectam no Extremo Sul da Bahia. Neste territorio patrimonio da humanidade que abrigou um dos ultimos reencontros da diaspora humana, sujeitos-autores se encontram para reescrever uma historia e ensaiar outra geografia: inverter os fluxos da colonizacao, respeitar alteridades, valorizar diversidades, traduzir diferencas, resolver conflitos, revelar igualdades, dialogar, refletir, agir governar. Na escala do lugar, se mobilizam para repor florestas e reduzir pobrezas em um Corredor Ecologico; tambem ali se reunem, em diversas instancias de deliberacao participativa, para determinar um projeto de sustentabilidade regional; na escala do bioma, se articulam para a configuracao de um amplo pacto nacional pelas florestas da Mata Atlantica. Sustentar teorica e politicamente a vertente emancipatoria destes projetos e o objetivo desta tese. O conceito de cidadao governante determina a hipotese de insuficiencia da democracia para realizacao de interesses publicos. Talhipotese demanda outros modos de acao e reflexao modos libertarios e republicanos, que complementam os modos democraticos correntes, para reinvencao da cidadania como forma de governo. A iluminacao do encontro trans-historico entre o pensamento politico amerindio e as primeiras reflexoes libertarias da modernidade possibilita ir alem das fronteiras da competicao e da guerra ou do paradigma colonial moderno. Avançar nesta trilha significa resgatar, sob os escombros da ideologia do progresso, a dimensao politica da amizade, da autonomia e da cooperacao, na tentativa de desenhar um verdadeiro estado de excecao no ocidente. A viabilidade topica geografica deste outro estado demanda a explicitacao efetiva da autonomia imediata de todo aquele que se declara concidadao para atuacao em processos de compartilhamento da gestao publica. Nesse caminho, os sujeitos do conhecimento e da acao coletiva sao tambem coautores de outra geografia politica, determinante de multiplas soberanias em territorios compartilhados. Em seus movimentos de cidadania e organizacoes em rede realizam uma pulsao libertaria original, que ultrapassa o nivel da mera indignacao, manifestacao e participacao, para efetivacao de uma liberdade e igualdade imanentes e inviolaveis. Um unico imperativo e capaz de se impor a estes cidadaos, exatamente porque deles e constituinte governai-vos.
Abstract
Assunto
Cidadania, Territorialidade humana, Mata Atlântica , Geografia política
Palavras-chave
Território, Diversidade, Geografia política, Autonomia, Cidadania