Retomar a terra: como ser indígena na região metropolitana de Belo Horizonte
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
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Silke Kapp
Luis Roberto de Paula
Luis Roberto de Paula
Resumo
O foco deste trabalho é compreender o processo recente promovido por
um grupo de indígenas, chamado por eles de retomada de terras, que resultou na
criação da aldeia Naô Xohã, em outubro de 2017, no município de São Joaquim de
Bicas, localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O
grupo é composto principalmente por indígenas das etnias Pataxó Hã-Hã-Hãe e
Pataxó, vindos de terras demarcadas no sul da Bahia além de indígenas vindos de
outros estados e cidades. A pesquisa busca compreender quem são os indivíduos
e grupos envolvidos na criação aldeia, as trajetórias sócio-espaciais de seus
moradores, como tem se dado a produção do espaço no local e o que tem sido a retomada na prática.
Ao tratar da produção do espaço na aldeia, este trabalho leva em consideração, além das ações dos próprios indígenas, as influências de outros
agentes. Isso inclui a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão responsável pela
demarcação de terras indígenas; a ONG Teto, que construiu cinco habitações
temporárias para a aldeia; e a mineradora Vale, que passou a ter forte influência
nas transformações da Naô Xohã devido ao rompimento da barragem da mina
Córrego do Feijão, operada pela empresa, que devastou o rio que passa às
margens do território reivindicado pelos indígenas.
A metodologia de pesquisa adotada foi inspirada em estratégias da
etnografia e teve como base visitas à aldeia, registros de conversas informais,
acompanhamento de atividades do dia a dia dos indígenas, entrevistas narrativas
e produção de material gráfico.
Abstract
The following research focus on the understanding of the recent process
promoted by the Indigenous population, called Retomada de Terras (resumption of
land) which resulted in the creation of the Naô Xohã Settlement (Aldeia Naô Xohã)
at October 2017 in the municipality of São Joaquim de Bicas, located in the
Metropolitan Region of Belo Horizonte, state of Minas Gerais. The group consists
mainly of natives from the Pataxó Hã-Hã-Hãe and Pataxó ethnicity, originated from
government official settlements from the south of Bahia state and other natives
from other states and cities. Therefore, the dissertation seeks to express whom
these individuals are, their involvement with the settlement´s creation, their sociospatial
trajectories, the ways the production of space took place, and what has
been the retomada (resumption) so far.
In dealing with production of space, this work takes into account the
influence of other agents. Such agents includes: the Fundação Nacional do Índio
(FUNAI), the Brazilian national agency responsible for the demarcation of
indigenous lands; the NGO Teto, responsible for building temporary housing for
the village; and the mining company Vale, owner of Córrego do Feijão mine dam,
which the recently irruption resulted in the devastation of the river that passes on
the shores of the Indian claimed territory.
The methodology adopted was based upon ethnography research
strategies such as: visits to the village, the register of informal conversations,
observation of day-to-day activities of the population, narrative interviews, and
production of graphic material.
Assunto
Palavras-chave
Indígenas, Retomada de terras, Práticas sócio-espaciais, Região Metropolitana de Belo Horizonte, Aldeia Naô Xohã
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