Análise da prevalência do biofilme na mucosa nasal das crianças respiradoras orais por meio da citologia nasal

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Introdução: Biofilmes são aglomerados de microrganismos associados a uma superfície e incorporados a uma matriz polimérica extracelular. Têm sido descritos em inúmeras patologias, como as rinossinusites crônicas (RC). Sua presença está relacionada ao aumento da sobrevivência de microrganismos e à RC de pior prognóstico, sendo importante a sua detecção rotineira. A RC é uma das principais causas da respiração oral. Crianças respiradoras orais apresentam perdas significativas na qualidade de vida, geram gastos socioeconômicos importantes e podem ter alterações no crescimento e no desenvolvimento, que podem persistir até a vida adulta. A citologia nasal realizada pela microscopia óptica na coloração May-Grünwald-Giemsa (MGG) representa uma técnica útil, barata e de fácil aplicação para a detecção de biofilmes nesta população. Objetivo: Identificar a prevalência de biofilmes por meio da citologia nasal em crianças atendidas no Ambulatório do Respirador Oral do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG). Métodos: Os participantes deste estudo foram submetidos a teste alérgico cutâneo com bateria padrão, citologia nasal, rinomanometria anterior, fibronasolaringoscopia e avaliação pela equipe multidisciplinar. A citologia nasal foi colhida por meio da aplicação de um swab estéril na porção média do corneto inferior. O material coletado foi transferido para uma lâmina de vidro, secou ao ar livre e foi corado pelo método MGG. As lâminas foram lidas por dois examinadores independentes e cegos entre si para identificar a presença de biofilme na amostra colhida. A análise estatística incluiu testes de comparação (Mann Whitney, Qui-quadrado) e o teste de concordância Kappa, que foi utilizado para avaliar a concordância entre os dois examinadores. As análises foram realizadas no software IBM SPSS versão 25 e com nível de significância de 5%. Resultados: Foram incluídas 67 crianças respiradoras orais, com idade entre 5 e 12 anos (mediana: 8 anos), sendo 45 (67,2%) do sexo masculino. Houve alta concordância quanto à identificação do biofilme entre os dois examinadores independentes (p < 0,0001). Devido à alta concordância, após sorteio, considerou-se os resultados encontrados pelo examinador 2. A prevalência de biofilme foi de 47,8% (n=32). Os pacientes que apresentaram biofilme na mucosa nasal eram mais novos, com mediana da idade: 8 (7 – 10); p = 0,047. A presença de biofilme esteve associada à diminuição do fluxo nasal medido pela rinomanometria anterior, com uma porcentagem de fluxo nasal menor nos pacientes com biofilme (mediana 47%), quando comparados àqueles sem o biofilme (mediana 79%); valor p 0,01. Em relação à gravidade da obstrução do fluxo nasal, observou-se que os pacientes com a presença de biofilme apresentaram obstrução mais grave quando comparados àqueles sem o biofilme (p = 0,021). Conclusão: A citologia nasal mostrou ser um teste tecnicamente simples, barato, reprodutível e capaz de detectar o biofilme em crianças respiradoras orais. As crianças mais novas apresentaram maior prevalência de biofilme na mucosa nasal. Além disso, nas crianças em que foi identificado o biofilme, observou-se menor fluxo nasal e uma obstrução mais grave quando comparadas àquelas sem a presença do biofilme. Esses achados podem estar relacionados ao desenvolvimento de um microbioma nasal insalubre, o que poderia favorecer o surgimento e o desenvolvimento do biofilme.

Abstract

Assunto

Biofilmes, Citologia, Respiração Bucal, Criança, Rinomanometria

Palavras-chave

Biofilme, Citologia Nasal, Respiração Oral, Criança, Rinomanometria, Microbioma.

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