“O nosso papel é ser ao menos um que não”: sobre as práticas e saberes de psicólogas em relação a sobreviventes de violência sexual que optam pelo aborto legal

Descrição

Tipo

Dissertação de mestrado

Título alternativo

Our role is to be at least one who does not" : on the practices and knowledge of psychologists in relation to survivors of sexual violence who choose legal abortion

Primeiro orientador

Membros da banca

Lisandra Espíndula Moreira
Letícia Gonçalves
Erica Dumont Pena

Resumo

Tradicionalmente a psicologia tem se mantido distante das discussões relacionadas aos direitos sexuais e direitos reprodutivos, apesar de dedicar-se à produção teórica acerca da subjetividade das mulheres, focando, principalmente, na maternidade, como algo inerente a esta constituição. Enquanto outros eventos recorrentes na vida reprodutiva das mulheres, como o aborto, são desconsiderados, mesmo quando estamos inseridos nas equipes mínimas de atuação em saúde sexual e saúde reprodutiva no Sistema Único de Saúde. O objetivo geral desta pesquisa consistiu em analisar como tem se dado a atuação das psicólogas dos serviços de saúde da cidade de Belo Horizonte em relação à interrupção de gestação prevista em lei. Como objetivos específicos, foram consideradas as seguintes questões: conhecer o processo formativo das psicólogas da rede de assistência à saúde de Belo Horizonte; compreender quais os saberes e fazeres das psicólogas que atuam em serviços de saúde sobre o aborto legal; verificar se e como a prática psicológica reconhece, corrobora e/ou impede a violência institucional contra as mulheres em situações de abortamento legal. A metodologia empregada foi a da psicologia feminista que se encontra interessada na produção de subjetividades, ações e em teorias feministas, buscando uma explicação mais adequada da realidade. Para a produção dos dados, foram realizadas 10 entrevistas narrativas com psicólogas que atuam nos serviços de saúde do SUS de Belo Horizonte. Para chegar até essas trabalhadoras, foi utilizada a técnica da bola de neve, que consiste em uma cadeia de indicações de participantes para a pesquisa. Por meio da análise das entrevistas, foi possível identificar que a formação ofertada nos cursos de graduação em psicologia ainda possui um viés voltado para a prática clínica em consultório, sendo incipientes as discussões acerca da atuação nas políticas públicas, sobretudo as direcionadas aos direitos sexuais e direitos reprodutivos. Esse vazio no percurso formativo básico leva as psicólogas a utilizarem de técnicas aprendidas que não necessariamente fornecem os subsídios necessários para trabalhar nessas políticas. Enquanto outras, somaram o conhecimento adquirido a partir de outras experiências, como a participação nos movimentos de mulheres e trabalhos voluntários, para potencializar a prática exercida nesses espaços. Também observou-se que atuar com mulheres em situação de abortamento em um país onde o procedimento é criminalizado e ilegal traz sofrimento para as usuárias atendidas e também para as psicólogas, que possuem clareza quanto às limitações impostas a suas práticas e possibilidades de acolhimento e construção de projetos terapêuticos. No que tange ao trabalho realizado por essas profissionais, percebeu-se que a maioria possui uma discurso alinhado com a defesa dos direitos das mulheres em relação ao próprio corpo, do entendimento sobre o estigma e preconceito que marca as discussões sobre o aborto no país. No entanto, essa pauta mostra-se desconectada de outros marcadores, sobretudo o de raça, o que aponta para um saber e prática psicológica distanciada das questões que marcam a construção subjetiva das mulheres brasileiras.

Abstract

Assunto

Palavras-chave

Aborto legal, Direitos sexuais e direitos reprodutivos, Psicologia, Saúde Pública, Feminismo Negro, Feminismo Decolonial

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