Avaliação da variabilidade de práticas terapêuticas em oncologia no Brasil

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Membros da banca

Gulnar Azevedo e Silva
Angélica Nogueira Rodrigues
Edna Afonso Reis
Ávila Teixeira Vidal
Mário Círio Nogueira

Resumo

A introdução de novas tecnologias no âmbito dos tratamentos oncológicos é continuamente almejada como também percebida pela sociedade na atualidade. O estabelecimento da recomendação de uma conduta clínica qualificada requer um processo robusto, pautado tanto na experiência prática dos profissionais especialistas, como nas perspectivas dos pacientes, e nas melhores evidências científicas. Entretanto, a existência de lacunas nesse processo vem produzindo condutas terapêuticas de valor duvidoso, ou ainda, de baixo-valor no tratamento do câncer. As recomendações mencionadas são dispostas em diretrizes clínicas terapêuticas, as quais verifica-se ampla diversidade em todo o mundo. Assim, é perceptível a necessidade de garantir a qualidade destes documentos norteadores, e por conseguinte das condutas clínicas executadas na prática. Considerando o cenário exposto, foi objetivo principal do presente trabalho avaliar a variabilidade de condutas terapêuticas em oncologia em documentos nacionais norteadores de práticas clínicas, e em uma situação terapêutica prática de valor duvidoso executada no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), assim como as suas consequências clínicas. Inicialmente foram avaliadas a qualidade de 12 diretrizes nacionais de tratamentos dos cânceres de mama, próstata e de cólon e reto, incluindo as Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas (DDT) do SUS, documentos do sistema suplementar de saúde e de sociedades e associações médicas. Para tal, avaliadores com formações diversas aplicaram o instrumento AGREE II (Appraisal of Guidelines for Research and Evaluation). Em todas as diretrizes avaliadas foram identificadas fragilidades e potencialidades, cuja instituição responsável pela publicação aparenta estar relacionada. Ao explorar os diversos aspectos das diretrizes citadas, identificou-se uma prática clínica de valor duvidoso no âmbito do tratamento do câncer de mama metastático ao diagnóstico (ou “de novo”): a remoção cirúrgica do tumor primário. Iniciou-se então a avaliação da influência da realização de tal procedimento cirúrgico na sobrevida de mulheres em tratamento no SUS. Para tal, foi desenvolvido um estudo de coorte retrospectiva considerando mulheres que iniciaram o tratamento entre 2003 até 2009. Foi estabelecido um grupo comparador de mulheres que não realizaram a cirurgia usando a técnica de propensity score matching (PSM). Avaliou-se a sobrevida global em 60 meses com construção de curvas de Kaplan-Meier, modelo de Cox de riscos proporcionais, e tempo médio de sobrevivência restrito (RMST – Restricted Mean Survival Time). Verificou-se que em aproximadamente 24% dos casos de tratamento do câncer de mama metastático inicial recorreu-se à cirurgia (3.641 mulheres), as quais foram realizadas majoritariamente como primeiro tratamento oncológico (69,4%) e do tipo mastectomia (70,3%). A mediana de sobrevivência (não alcançada para o grupo que realizou a cirurgia como primeira intervenção) e o RMST (superior em 6,9 meses) foram comparativamente superiores ao grupo pareado (p<0,001). As análises univariada e multivariada evidenciaram, entre outros, a redução do risco de óbito para a realização de cirurgia (análise multivariada: HR 0,607, IC95% 0,556-0,663), e elevação do risco para tratamentos sem hormonioterapia, presença de comorbidades e faixa etária superior. Assim, sugere-se que a remoção cirúrgica do tumor primário possa influenciar positivamente na sobrevida de parcela das mulheres com câncer de mama metastático ao diagnóstico. Conclui-se que tanto a avaliação de diretrizes clínicas, quanto de dados de mundo real podem contribuir para o fortalecimento das políticas e das práticas terapêuticas oncológicas no SUS.

Abstract

Assunto

Guia de Prática Clínica, Neoplasias da Mama/terapia, Análise de Sobrevida, Avaliação da Tecnologia Biomédica, Oncologia, Modelos de Riscos Proporcionais, Sistema Único de Saúde, Guias de Prática Clínica como Assunto, Mastectomia, Análise de Sobrevida

Palavras-chave

Guia de Prática Clínica, Oncologia, Avaliação de Tecnologia Biomédica, Neoplasias de Mama, Análise de Sobrevida

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