“É muito cruel essa questão da invisibilidade de tudo que é da gente, da gente não se sentir parte do processo”: lutas e memórias de percursos formativos de mulheres do quilombo rio das rãs
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
Os saberes (e próprio ser) dos povos remanescentes de quilombos foram, e são, parte da educação e da sociedade vigente em nosso país. No entanto, a invisibilização desses saberes é uma das marcas de uma colonização europeia que ainda opera por meio de colonialidades que negam e excluem tudo aquilo que é diferente. Deste modo, esta pesquisa teve como objetivo compreender, por meio do discurso de mulheres da Comunidade Remanescentes de Quilombo Rio das Rãs, seus percursos formativos e os tensionamentos vividos por elas ao longo dos processos formativos aos quais participaram. O material de pesquisa é composto por áudios, textos escritos e fotografias que compõem narrativas escritas de cinco mulheres quilombolas que atuam como professoras na escola da comunidade e uma licencianda em Pedagogia, construídas a partir das entrevistas e de uma Roda de memórias envolvendo as mulheres. Esse material foi organizado de modo a reconstruir as trajetórias de vida e escolares dessas mulheres que pontuaram as dificuldades que passaram na escola, a luta do quilombo para homologação da terra e a invisibilização dos seus corpos e saberes tradicionais durante o período que estiveram na escola. A análise, que é aprofundada à luz dos estudos decoloniais (Quijano, 2005; Walsh, 2017; 2018), mostra que ao acessar suas memórias, essas mulheres trazem à tona as lutas das populações negras que perpassam toda a história dessas pessoas e de seus antecedentes, para o reconhecimento de sua existência e de suas contribuições para a construção do Brasil. Da mesma forma, os discursos dessas mulheres mostram como a escola contribuiu para invisibilizar e apagar os saberes e seres advindos da cultura quilombola, inclusive os saberes reconhecidos como matemáticos. Mostram ainda como enfrentaram as dificuldades na escola, a partir do reconhecimento de sua identidade enquanto mulheres negras/quilombolas, que lhes deram empoderamento para avançarem na formação acadêmica e atuarem como professoras em sua comunidade. Enquanto professoras quilombolas, elas buscam promover uma educação voltada para a resistência à colonização dos corpos e das mentes, para que seus alunos tenham a identidade fortalecida e possam enfrentar os problemas, caso precisem sair da comunidade. Conclui-se a importância de pesquisas que resgatam as histórias das populações quilombolas, contadas do ponto de vista delas, sobretudo, das mulheres, para a promoção de uma Educação Quilombola que seja alicerçada nos seres e saberes tradicionais desses povos.
Abstract
Assunto
Palavras-chave
Mulheres quilombolas, Percursos formativos, Memórias, Lutas e conquistas, Quilombo Rio das Rãs