A chegada no campo de pesquisa: entre os bem-vindos e os desafios para anunciar as experiências das infâncias

Carregando...
Imagem de Miniatura

Data

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Federal de Minas Gerais

Descrição

Tipo

Artigo de evento

Título alternativo

Primeiro orientador

Membros da banca

Resumo

Discussões e achados a partir dos clássicos autores advindos da Sociologia da Infância (Prout, com o seu conceito de “agência”, Corsaro sobre a “reprodução interpretativa”, Qvortrup com a “categoria estrutural” e Sarmento, sobre as “culturas infantis”) vem fomentando o uso da “etnografia” ou “perspectivas etnográficas” como métodos das pesquisas com crianças. Tais possibilidades metodológicas se mostram relevantes para as pesquisas no campo interdisciplinar dos Estudos da Infância. No entanto, o processo de chegada ou entrada no campo parece ser pouco discutido nos textos de metodologia de pesquisa ou mesmo nos estudos empíricos. O objetivo deste trabalho é discutir a experiência de se chegar ao campo de nossas pesquisas com crianças. Trata-se de duas pesquisas nível doutorado, com objetivos bem distintos e que se encontram na fase final do processo de chegada no campo. Ambas são de natureza qualitativa, utilizam como metodologia de pesquisa a perspectiva etnográfica e possuem dispositivos metodológicos muito semelhantes: observação participante, registro em diário de campo com posterior expansão de notas, registros em mídia (fotos, áudios e vídeos) e utilização de desenhos das crianças. Com o mesmo rigor metodológico, tratamos as conversas (ditas) informais como fontes férteis na rotina das pesquisas. As duas pesquisas são realizadas em escolas distintas que pertencem à Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte: uma Unidade Municipal de Educação Infantil e uma Escola Municipal de Ensino Fundamental. Em uma das pesquisas, o objetivo é entender os usos e as apropriações da cidade pelas crianças (5 anos) que circulam por ela no tempo/espaço institucional da Educação Infantil; enquanto que na outra, o objetivo é entender as práticas de cuidado com as crianças recém-chegadas ao Ensino Fundamental de tempo integral (6 anos). Inicialmente cabe destacar que entrar na vida de outras pessoas representa a possibilidade de se tornar um “intruso”, portanto faz-se necessário obter “permissão”, que vai além da que é dada sob as formas de consentimento habituais. Nesse sentido, a entrada inicial e sua permanência no campo foram negociadas com as crianças e com os adultos das escolas, mas percebemos que tal entrada é, de fato, rotineira. Afinal, a escola se faz dia após dia e precisamos estar atentos como ela se encontra naquele dia que a visitamos, respeitando que ambos, crianças e adultos, podem estar em um dia menos ou mais favorável para observarmos nossos objetos de pesquisa. Uma vez bem vindos, os desafios, as tensões, os anseios e as sensações foram se constituindo para nós pesquisadores. Elencamos três categorias para discuti-los, mas que se encontram imbricadas, sendo uma maneira apenas de organizar tais achados até o momento: 1) tensões e sentimentos dos pesquisadores; 2) a relação com os adultos; 3) a relação com as crianças. No primeiro, a alegria de iniciar o campo se sentindo no lugar certo, mas também incertezas, insegurança com algumas situações e cansaço. Já no segundo tópico, destacamos o acolhimento em ambas as escolas, o diálogo constante e a frequente indicação de que éramos “mais um adulto ali”, mas também o sentimento de invisibilidade em certos momentos, talvez pelo ritmo acelerado da escola. Quanto ao terceiro, a ansiedade de conhecer as crianças se materializou rapidamente em uma aproximação positiva e divertida, com a cautela de não nos posicionarmos nesta relação somente (pois em certos momentos, precisamos intervir) na figura disciplinar do adulto. Espera-se que, com as discussões apontadas, possamos contribuir com os estudos que tem como foco as experiências das crianças e de seus pares na escola, que são anunciadas na relação com os adultos, sejam eles os responsáveis, pais, pesquisadores, professores, coordenadores, funcionários e direção.

Abstract

Assunto

Educação infantil, Ensino fundamental, Espaços públicos

Palavras-chave

Infâncias, Experiências, Pesquisa, Educação

Citação

Curso

Endereço externo

https://ed7178e9-e07a-4aa1-ae14-943c8bef7bb0.filesusr.com/ugd/11e5f9_128aa6da86544d6ba077db2e5d4e3663.pdf

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por