Inibição da secreção pulsátil de hormônio luteinizante pelos neurônios dopaminérgicos tuberoinfundibulares: papel fisiológico e na infertilidade induzida por hiperprolactinemia

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Renata Frazão
Fernando Marcos dos Reis
Egberto Gaspar de Moura
Lucila Leico Kagohara Elias

Resumo

A hiperprolactinemia suprime a secreção pulsátil do hormônio luteinizante (LH), o que causa infertilidade em homens e mulheres. Entretanto, os neurônios produtores do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), os quais controlam a secreção de LH, não apresentam receptores para prolactina (PRL), o que sugere uma modulação neuroendócrina indireta da PRL sobre estes neurônios. A PRL regula a própria secreção por meio da ativação dos neurônios dopaminérgicos tuberoinfundibulares (TIDA), uma vez que esses liberam dopamina na eminência mediana (ME), que inibe a secreção de PRL. Neste trabalho, investigamos se a dopamina proveniente dos neurônios TIDA do núcleo arqueado do hipotálamo (ARC) estaria envolvida na inibição da secreção de LH em situações fisiológica e de hiperprolactinemia. Para demonstrar ação dos neurônios TIDA sobre a secreção de LH, realizamos ativação seletiva destes neurônios por meio do uso de DREADDs em ratos que expressam Cre-recombinase sob o controle do promoter da enzima tirosina hidroxilase (TH-Cre). De fato, encontramos redução da amplitude dos pulsos de LH em resposta à ativação dos neurônios TIDA. Em busca da função fisiológica deste efeito, avaliamos a participação destes neurônios sobre a pulsatilidade de LH e a fertilidade em ratas ciclando. Para tanto, induzimos lesão seletiva dos neurônios TIDA com 6-hidroxidopamina (6-OHDA). A lesão aumentou a amplitude dos pulsos de LH, pronunciadamente, o que foi acompanhado do aumento dos níveis de estradiol (E2) e do número de corpos lúteos. Em experimento subsequente, determinamos o efeito agudo da PRL sobre a atividade dos neurônios TIDA em ratas ovariectomizadas (OVX) tratadas com E2 (OVX+E2). A PRL ovina (oPRL) aumentou seletivamente a atividade dos terminais dos neurônios TIDA na ME aos 30 e 60 min após a injeção intracerebroventricular em associação a inibição das concentrações plasmáticas de PRL e LH. Por fim, avaliamos se o bloqueio dopaminérgico afetaria a inibição da secreção pulsátil de LH pela PRL em modelo de hiperprolactinemia aguda. Para tanto, realizou-se injeção subcutânea aguda de oPRL precedida da administração icv de antagonista de receptor dopaminérgico do tipo D2 (sulpirida) ou D1 (SCH23390) em ratas OVX+E2. Como esperado, a oPRL reduziu a frequência e amplitude dos pulsos LH e o LH médio. A sulpirida preveniu a redução da amplitude dos pulsos e do LH médio pela oPRL, enquanto o SCH23390 preveniu a inibição da amplitude dos pulsos. Desta forma, nossos resultados demonstram que a dopamina dos neurônios TIDA inibe a secreção pulsátil de LH em situações fisiológicos e de hiperprolactinemia. Estes achados sugerem uma nova via pela qual a PRL pode suprimir a secreção de LH e causar infertilidade.

Abstract

Assunto

Fisiologia e Farmacologia, Dopamina, Prolactina, Hormônio luteinizante, Hiperprolactinemia, Infertilidade

Palavras-chave

Dopamina, Prolactina, Hormônio luteinizante, Hiperprolactinemia, Infertilidade, DREADD

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