Práticas de cuidado no trabalho de parto e parto antes e durante a pandemia da COVID-19: comparação entre dois inquéritos
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Care practices in labor and delivery before and during the COVID-19 pandemic: comparison between two surveys
Primeiro orientador
Membros da banca
Fernanda Marçal Ferreira
Alexandra Dias Moreira D'assunção
Alexandra Dias Moreira D'assunção
Resumo
Introdução: A pandemia da COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, pode ter
modificado a condução das práticas obstétricas no momento do trabalho de parto (TP), parto e
nascimento. No Brasil, muitas dessas práticas já aconteciam sem basear-se nas evidências
científicas, mediante o uso excessivo de intervenções obstétricas desnecessárias. Esse cenário
pode ter sido agravado pelo contexto da pandemia. Objetivo: Analisar a influência da
pandemia da COVID-19 nas práticas da assistência ao trabalho de parto e parto de mulheres
que pariram em hospitais públicos de Belo Horizonte – Minas Gerais (MG), Brasil, em
comparação ao cenário pré-pandemia, e comparar sua ocorrência entre as mulheres não
infectadas e infectadas/suspeitas por SARS-CoV-2. Métodos: Estudo transversal e
comparativo aninhado a uma coorte, utilizando os dados da pesquisa denominada “Parto e
aleitamento materno em filhos de mães infectadas por SARS-CoV-2” - 2020/2022, realizada
em três maternidades públicas de referência ao parto e nascimento em Belo Horizonte-MG,
Brasil. Seus resultados foram comparados aos do estudo “Nascer em Belo Horizonte:
Inquérito sobre o parto e nascimento”, realizado em 2014, para investigação das práticas da
assistência ao trabalho de parto e parto, para a parturiente e seu recém-nascido (RN),
portadores ou não da infecção, antes e durante a pandemia da COVID-19. A comparação
entre os estudos foi realizada utilizando-se o teste qui-quadrado de Pearson, considerando o
nível de confiança de 95%, por meio do programa estatístico Stata, versão 16.0. Resultados:
Não houve diferença das variáveis relacionadas a: internação, histórico obstétrico e tipo de
saída do hospital segundo a presença/suspeita da infecção por SARS-CoV-2. Quanto aos
antecedentes pessoais, identificou-se maior prevalência de histórico de asma e doença
hepática crônica entre as parturientes com infecção suspeita ou confirmada por SARS-CoV-2
em comparação com as não infectadas. Na comparação dos resultados entre os estudos antes e
durante a pandemia, observou-se aumento das práticas recomendadas pela Organização
Mundial de Saúde, como: oferta de dieta (48,90% contra 98,65%), de métodos não
farmacológicos para alívio da dor (43,84% contra 67,57%) e do aleitamento materno na
primeira hora de vida do recém-nascido (60,31% contra 77,98%), com diferença
estatisticamente significativa (p < 0,001). Houve redução de intervenções não recomendadas,
por exemplo: uso rotineiro de episiotomia (15,73% para 2,09%), manobra de Kristeller
(16,55% para 0,94%), infusão de ocitocina (45,55% para 28,07%) e amniotomia (30,81% para
15,08%), bem como da posição litotômica durante o parto (71,23% para 6,54%), com
diferença estatisticamente significativa (p < 0,001). Conclusão: Os resultados deste estudo
monstram que apesar da pandemia da COVID-19 houve avanços no estabelecimento das
práticas preconizadas pela OMS para o trabalho de parto, parto e nascimento e redução das
práticas não preconizadas.
Abstract
Introduction: It has been hypothesized that the COVID-19 pandemic may have
changed the conduct of obstetric practices at the time of labor (TP), delivery, and birth. In
Brazil, many practices lacking scientific evidence are implemented in this care, which is
charcaterized by excessive use of unnecessary interventions. This scenario may have been
worsened by the pandemic. Objective: To analyze the influence of the COVID-19 pandemic
on labor and delivery care practices of women who gave birth in public hospitals in Belo
Horizonte – Minas Gerais (MG), Brazil, compared to the pre-pandemic scenario, and compare
its occurrence between uninfected and infected/suspected SARS-CoV-2 women. Methods:
This cross-sectional and comparative study analyzed preliminary data from the research
"Delivery and breastfeeding in children of mothers infected with SARS-CoV-2", conducted in
three referral public maternity hospitals in Belo Horizonte - MG during the pandemic. These
results were compared to those of the study "Born in Belo Horizonte: labor and birth survey",
conducted before the pandemic to investigate the changes in practices of labor and delivery
care for the mother and her newborn (NB), with or without COVID-19 infection, before and
during the pandemic. Comparisons were performed using Pearson's Chi-square test, with a
confidence level of 95% using the Stata statistical program. Results: There were no
differences in variables related to hospitalization, obstetric history, and type of hospital
discharge according to the presence/suspicion of SARS-CoV-2 infection. Regarding personal
history, a higher prevalence of asthma and chronic liver disease was identified among
parturients with suspected or confirmed SARS-CoV-2 infection compared to those who were
not infected. We found a significant increase in practices recommended by the World Health
Organization (WHO) during the pandemic, including: offering diet (48.90% versus 98.65%),
non-pharmacological methods for pain relief (MNF) (43.84% versus 67.57%), and
breastfeeding in the first hour of life of the RN (60.31% versus 77.98%) (p<0.001). We
further found a significant reduction of non-recommended interventions, such as the routine
use of episiotomy (15.73% to 2.09%), Kristeller maneuver (16.55% to 0.94%), oxytocin
infusion (45.55% to 28.07%), amniotomy (30.81% to 15.08%), and lithotomy position during
labor (71.23% to 6.54%) (p<0.001). Conclusion: The results of this study show that despite
the COVID-19 pandemic, there have been advances in the establishment of practices
recommended by the WHO for labor, delivery and birth and a reduction in practices not
recommended.
Assunto
COVID-19, Gravidez, Parto, Epidemiologia
Palavras-chave
Infecção pelo vírus COVID-19, Gestação, Parto, Epidemiologia
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