Efeitos do Lactococcus lactis produtor de HSP65 na medula espinhal de camundongos com encefalomielite autoimune experimental
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Cláudia Rocha Carvalho
Helton da Costa Santiago
Ana Maria Caetano de Faria
Helton da Costa Santiago
Ana Maria Caetano de Faria
Resumo
A esclerose múltipla é uma doença autoimune em que a operação
desregulada no sistema imune do indivíduo, normalmente mediada por fatores
genéticos e influenciada pelo meio ambiente, faz com que as células do
sistema nervoso central sejam alvo de destruição por células inflamatórias. A
esclerose múltipla é estudada por um modelo chamado de encefalomielite
autoimune experimental (EAE), no qual a imunização com antígenos presentes
na bainha de mielina induz uma resposta imune específica e causa assim
manifestações semelhantes às da doença em humanos. Utilizando conceitos
da tolerância oral, que preconiza que a ingestão contínua e em baixas doses
de um determinado antígeno protéico resulta em tolerância imunológica, e das
propriedades imunomodulatórias das proteínas de choque térmico (HSPs),
realizamos um estudo para entendermos melhor a ação da administração oral
da bactéria Lactococcus lactis produtor de HSP65 na prevenção da EAE. Em
estudos anteriores, nosso grupo comprovou a eficiência desse mecanismo
preventivo e estudou diversos parâmetros nos órgãos linfóides secundários.
Neste trabalho, focamos as análises na medula espinhal e migração celular.
Após 5 dias de tratamento oral por L.lactis produtor de HSP65 (grupo
HSP65+EAE) ou apenas água para controle (água+EAE), camundongos
C57BL/6 foram imunizados com MOG juntamente com CFA para a indução da
doença. Nos dias 4, 10 e 14 após a imunização, os animais foram sacrificados.
Observamos que, no 14º dia (período em que o índice clínico do grupo
água+EAE fica mais alto), houve redução do infiltrado inflamatório e das áreas
de lesão na medula espinhal apenas dos animais do grupo HSP65+EAE. Um
estudo dos linfócitos reguladores T CD4+
demonstrou que, neste mesmo
momento, uma maior freqüência das células Foxp3-
LAP+
ocorre no grupo
HSP65+EAE. Esse resultado aponta para uma maior importância desse
fenótipo celular na prevenção da EAE. Quanto aos parâmetros relativos à
migração celular, estudamos, no 4º dia da indução da EAE, os receptores de
quimiocinas CCR6 e CXCR3, que contribuem, respectivamente, para a indução
e supressão da doença. Eles foram analisados no baço e linfonodos
mesentérico e inguinal. Observamos, em linhas gerais, uma redução da
freqüência das células efetoras expressando CCR6 e aumento da freqüência
XVI
das que expressam CXCR3, no grupo HSP65+EAE. Foram analisadas
também, no 14º dia, as integrinas α4β1 e αLβ2, ambas importantes para o
desencadeamento da doença. Observamos uma redução da freqüência de
linfócitos T CD4+
efetores expressando α4β1 no baço. A análise desses
resultados demonstra muitos efeitos resultantes da ingestão do L.lactis
produtor de HSP65, na medula espinhal de camundongos, que podem estar
envolvidos com a prevenção da EAE. Embora com este trabalho ainda não se
possa definir o mecanismo, as possibilidades apresentadas são plausíveis e
devem ser mais estudas
Abstract
Multiple sclerosis is an autoimmune disease associated with a
dysfunctional operation of the immune system of an individual. This is usually
mediated by genetic factors and influenced by environmental, and leads to
destruction of target cells of the central nervous system by inflammatory cells.
Multiple sclerosis is studied by a model called experimental autoimmune
encephalomyelitis (EAE) in which an immunization with antigens derived from
the myelin sheath induces a specific immune response inducing disease
manifestations similar to those in humans. Using the strategy of oral tolerance
induced by the continuous intake of a specific antigen protein in low doses, and
the immunomodulatory properties of heat shock proteins, we conducted a study
to better understand the effect of the continuous feeding of HSP65-producing
Lactococcus lactis in preventing EAE. In previous studies, our group has
confirmed the efficacy of this modulatory mechanism and studied various
immunological parameters in secondary lymphoid organs. Herein, we focused
the analysis in the events taking place at the spinal cord and in cell migration.
After 5 days of oral treatment with either HSP65-producing L.lactis
(HSP65+EAE) or water only as a control (water + EAE), C57BL / 6 mice were
immunized with MOG and CFA for disease induction. On days 4, 10 and 14
after immunization, animals were killed. We observed a decreased in
inflammatory infiltrated and injured areas on spinal cord 14 days after the
immunization (time point of the highest clinical score of EAE) only in HSP65 +
EAE group. A study of regulatory CD4+
T lymphocytes showed that, at this time
point, a higher frequency of Foxp3-
LAP+
cells occurs in HSP65 + EAE group.
This result indicates a greater importance of this cellular phenotype in
preventing EAE. Regarding the parameters related to cell migration studied in
the 4th day after EAE induction, we studied the chemokines receptors CCR6
and CXCR3, which contribute to the induction and suppression of disease,
respectively. They were analyzed in the spleen, mesenteric and inguinal lymph
nodes. In general, we observed a reduced frequency of effector cells
expressing CCR6 and an increased frequency of T cells expressing CXCR3 in
HSP65 + EAE group. We also evaluate, on the 14th day, the integrins α4β1 and
αLβ2, both important for disease induction. We observed a reduction in the
XVIII
frequency of CD4+
effector T lymphocytes expressing α4β1 in spleen. Analysis
of these results suggests that ingestion of L.lactis producing of HSP65 leads to
many effects in the spinal cord of mice, which may be involved in the prevention
of EAE. Although this work cannot define the mechanism of HSP65 effect yet,
the possibilities presented are plausible and should be further studied.
Assunto
Bioquímica e Imunologia, Esclerose Múltipla, Movimento Celular, Linfócitos T Reguladores, Quimiocinas, Integrinas
Palavras-chave
esclerose múltipla, tolerância oral, HSP65, migração celular, células T reguladoras, quimiocinas, integrinas