Senhores e possuidores de terras em comum : o processo histórico de acesso e uso das unidades fundiárias em São José do Rio das Mortes, c.1855 a c.1889

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Primeiro orientador

Membros da banca

Carlos de Oliveira Malaquias
Mario Marcos Sampaio Rodarte
Helen Osório
Carlos Gabriel Guimarães

Resumo

É persistente a interpretação de que, no Brasil, a desigualdade social e a concentração de poder surgiram como um caminho natural, teleológico, dos modos de produção escravista e camponês. O problema desse tipo de conclusão é que omite as intenções e participações dos sujeitos históricos, descrevendo eventos do passado como um percurso inevitável, como se não fossem resultado de escolhas. Retirar dessa equação o poder de agência dos sujeitos embasa narrativas atuais de que nada pode ser feito, pois os rumos foram determinados no passado, quando, na verdade, perpetuam estrategicamente o status quo de desigualdade. Compreender os elementos fundamentais do escravismo enquanto sistema — como a forma de lidar com a terra, o domínio, a posse, as hierarquias, o patrimonialismo e a mentalidade da sociedade do século XIX — possibilita perceber como as escolhas políticas, econômicas e sociais dessa sociedade influenciaram os rumos do processo histórico. A decisão de não romper completamente com os padrões de produção baseados na escravidão, no latifúndio e na intensa estratificação social moldou a racionalidade econômica local. A análise dos comportamentos, das decisões familiares e da complexidade das teias de relações sociais em relação à terra na Vila de São José del Rei, Minas Gerais, no século XIX, permitiu delinear alguns processos históricos locais de uma economia agrária e identificar seu alinhamento com leis gerais pensadas para o período. Verificamos o desenho de uma economia amplamente diferente da economia liberal, mas que desenvolveu uma racionalidade econômica própria a partir do contato com mudanças externas. Nesse percurso, observamos que as relações de mercado permaneceram essencialmente patrimonialistas, familiares e hierarquizadas. A utilização pro indiviso das propriedades se manteve funcional e desejável ao longo do período estudado, distinguindo-se da lógica da propriedade privada absoluta. O acesso à justiça foi utilizado de forma peculiar pela sociedade local, não necessariamente para determinar a propriedade privada plena, como era a intenção da Lei de Terras, mas para legalizar posses e salvaguardar direitos enraizados no passado. Como consequência dessas especificidades, pudemos propor mais uma 'peça' sobre a historicidade do acesso e da concentração de terras em sociedades não capitalistas.

Abstract

Assunto

História - Teses, Latifundio - Minas Gerais - História - Teses, Propriedade - Minas Gerais - História - Teses, História social - Teses, Minas Gerais - História - Teses

Palavras-chave

Mercado de terras, Terras pro indiviso e pro diviso, História social da propriedade

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