Qualidade da dieta e efeitos da suplementação de ômega-3 em desfechos de saúde maternos e do recém-nascido: ensaio clínico aleatorizado placebo-cego
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Diet quality and effects of omega-3 supplementation on maternal and newborn health outcomes: a placebo-blind randomized clinical trial
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
Objetivo: Caracterizar a qualidade da dieta de gestantes e avaliar os efeitos da suplementação
de ômega-3 sobre desfechos de saúde maternos e do recém-nascido. Métodos: A dissertação
abrange dois artigos, um oriundo da linha de base (avaliação transversal) e outro do ensaio
clínico randomizado, duplo-cego e placebo controlado com 60 gestantes de risco habitual,
adultas (20-40 anos), com idade gestacional entre 22 e 24 semanas. Foram coletados dados
sociodemográficos, antropométricos, de saúde e de consumo alimentar em cinco etapas (4
durante a gestação e 1 pós-parto). As gestantes foram alocadas em grupo controle (n=30) com
suplementação de óleo de oliva e grupo intervenção (n=30) com suplementação de ômega-3
(260mg do ácido eicosapentaenóico + 1440mg do ácido docosahexaenóico) até o final da
gestação (≈16 semanas). A avaliação do consumo alimentar foi efetuada com dois recordatórios
de 24 horas (R24h) que possibilitaram o cálculo do Índice de Qualidade da Dieta Adaptado para
Gestantes (IQDAG). Este apresenta nove componentes: hortaliças, frutas frescas, leguminosas,
fibras, folato, ferro, cálcio, ômega-3 e ultraprocessados. Dados referentes ao nascimento e ao
bebê foram coletados 15 dias após o parto. Resultados: O IQDAG obteve mediana total de
68,3 (60,6-79,1) pontos, sendo os valores superiores para gestantes com trabalho remunerado
(71,6 vs. 64,6; p=0,050) e para multíparas (72,3 vs. 64,6; p=0,030). Entre os componentes do
índice, as maiores pontuações máximas foram alcançadas para “leguminosas” (76,7%) e “ferro’
(58,3%). Em contraponto, as menores pontuações foram identificadas para “hortaliças” (6,7%)
e fibras (11,7%). Ao finalizar as etapas de coleta, 45 gestantes concluíram o estudo.
Independente da suplementação, o consumo de ômega-3 apresentou-se dentro da recomendação
(1,4 g/dia) em quase metade da amostra (46,7%) assim como a razão ômega-6/ômega-3 (80%).
Não houve diferença entre as semanas gestacionais, estado nutricional materno, ganho de peso,
intercorrência de saúde no parto, via de parto ou estado nutricional do recém-nascido após a
suplementação de ômega-3. Conclusão: A qualidade da dieta apontou características similares
ao padrão brasileiro de consumo, com maior adequação de leguminosas e necessidade de
incremento do consumo de hortaliças e fibras. Gestantes multíparas e com trabalho remunerado
apresentaram melhor qualidade da dieta, comparado as primíparas e sem remuneração,
denotando importância da orientação nutricional durante o pré-natal, sobretudo para as
gestantes nessas condições. A suplementação de ômega-3 não propiciou diferenças nos
desfechos de saúde maternos e do recém-nascido avaliados, provavelmente pelas características
clínicas e de consumo alimentar da amostra, além da dosagem utilizada. Investigações com
gestantes de alto risco e com maior deficiência alimentar de ômega-3, bem como novas
formulações do suplemento, são sugeridas para ampliar a compreensão sobre a interação deste
nutriente com a saúde materno-infantil.
Abstract
Objectives: Characterize the pregnant women's diet quality and evaluate the effects of omega 3 supplementation on maternal and newborn health outcomes. Methods: The dissertation
comprises two articles, one from the baseline (cross-sectional evaluation) and the other from a
randomized, double-blind, placebo-controlled clinical trial with 60 pregnant women at usual
risk, adults (20-40 years), with gestational age between 22 and 24 weeks. Sociodemographic;
anthropometric; health, and food consumption data were collected in five periods - 4 during
pregnancy and 1 postpartum. The pregnant were separated in two groups, the control group
with olive oil supplementation and the intervention group with omega-3 supplementation -
260mg of eicosapentaenoic acid + 1440mg of docosahexaenoic acid, both groups with n=30.
The intervention time was approximately 16 weeks, because was done until the end of the
gestation. The assessment of food consumption was carried out with two 24-hour meal reminder
- R24h - that enabled the calculation of the Adapted Diet Quality Index for Pregnant Women
(IQDAG). It has nine components: vegetables, fresh fruits, legumes, fiber, folate, iron, calcium,
omega-3, and ultra-processed foods. Birth and baby data were collected 15 days after childbirth.
Results: The IQDAG obtained a total median of 68.3 (60.6-79.1) points, with higher values for
pregnant women with paid work (71.6 vs. 64.6; p=0.050) and for multiparous women (72 .3 vs.
64.6; p=0.030). Among the index components, the highest scores were achieved for “legumes”
(76.7%) and “iron” (58.3%). In contrast, the lowest scores were identified for “vegetables”
(6.7%) and fibers (11.7%). At the end of the collection stages, 45 pregnant women concluded
the study. Regardless of supplementation, the consumption of omega-3 was within the
recommendation (1.4 g/day) in almost half of the sample (46.7%) as well as the omega 6/omega-3 ratio (80%). There was no difference between gestational weeks, maternal
nutritional status, and weight gain, health complications at delivery, mode of delivery or
nutritional status of the newborn after omega-3 supplementation. Conclusions: The diet quality
showed similar characteristics to the Brazilian pattern of consumption, with greater adequacy
of legumes and the need to increase the consumption of vegetables and fiber. Multiparous
pregnant women with paid work had a better diet quality, when compared with primiparous and
unpaid women, denoting the importance of nutritional guidance during prenatal care, especially
for pregnant women in these conditions. Omega-3 supplementation did not provide differences
in maternal and newborn health outcomes evaluated, probably due to the clinical characteristics
and food consumption of the analysis group, in addition to the dosage used. Investigations with
high-risk pregnant women with dietary deficiency of omega-3, as well as new formulations of
the supplement, are suggested to expand the understanding of the interaction of this nutrient
with maternal and child health.
Assunto
Recém-Nascido, Ensaio Clínico, Gravidez, Ácidos Graxos Ômega-3, Nutrição Materna, Alimentos
Palavras-chave
Recém-nascido, Ensaio clínico, Gestação, Ácidos graxos ômega-3, Nutrição materna, Alimentos