Conhecimento sobre Diabetes Mellitus Gestacional em gestantes com a doença: estudo transversal multicêntrico
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
Título alternativo
Knowledge about Gestational Diabetes Mellitus in pregnant women with the disease: a multicenter cross-sectional study
Primeiro orientador
Membros da banca
Fernanda Penido Matozinhos
Helisamara Mota Guedes
Helisamara Mota Guedes
Resumo
Introdução: O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é uma preocupação crescente de saúde
pública e tem sido descrita como uma grave e negligenciada ameaça à saúde das mulheres e
neonatos. A maior parte dos casos ocorrem principalmente nos países de baixa e média renda,
onde os recursos de saúde não estão bem estruturados para o enfrentamento de tais condições.
Embora o DMG seja uma condição temporária, mulheres com a doença e neonatos apresentam
maior risco de complicações na gestação e tardiamente na vida. Deste modo, o conhecimento
das mulheres sobre a doença e os comportamentos em saúde são fundamentais, não apenas para
o bem-estar materno e fetal, mas também para evitar complicações futuras. Objetivo: Estimar
os fatores associados ao conhecimento sobre diabetes mellitus gestacional, e a sua associação
com os comportamentos em saúde em gestantes com a doença. Métodos: Trata-se de um estudo
transversal multicêntrico, realizado com 546 gestantes com DMG em Belo Horizonte e Porto
Alegre, com uso de um instrumento autoaplicável, separado por três domínios: conhecimento
sobre o DMG; conhecimento dos valores nutricionais e escolha de alimentos; e conhecimento
dos princípios de autogestão do DMG. Para avaliar os fatores associados ao conhecimento e a
associação com os comportamentos em saúde, realizou-se a regressão de Poisson com variância
robusta, considerando a variável conhecimento sobre DMG nos três domínios e no total do
questionário, categorizada em: maior prevalência de acertos (quando o somatório de acertos por
domínio foi de 50% ou mais) e menor prevalência de acertos (quando o somatório de acertos
por domínio foi de menor que 50%). Resultados: Os menores percentuais de acertos foram
questões relacionadas ao conhecimento básico sobre DMG e princípios de autogestão. Em
geral, houve um pior desempenho no conhecimento em Minas Gerais em relação ao Rio Grande
do Sul. Na análise multivariada, nos modelos finais, observou-se no domínio 1 do questionário
que as mulheres que realizaram pré-natal no serviço de saúde privado, tiveram histórico de DM
na família e as mulheres que trabalhavam apresentaram maior prevalência de acerto. No
domínio 2, as mulheres com ensino superior e que residem no estado de Porto Alegre
apresentaram maior prevalência de acerto, sendo que o IMC foi positivamente associado à
maior frequência de conhecimento. E no domínio 3, as mulheres com menor idade, com
companheiro fixo, ensino superior, histórico de familiar com DM e que se autodeclararam de
cor branca apresentaram maior prevalência de acerto. No que diz respeito aos comportamentos
relacionados à saúde, nos modelos ajustados por variáveis sociodemográficas e IMC, constatou se que as mulheres com maior prevalência de acertos tinham maior frequência de prática de
atividade física e consumo de frutas e hortaliças. Contudo, não foi observada associação
estatisticamente significativa entre conhecimento sobre DMG e consumo de alimentos
ultraprocessados. Conclusão: As evidências deste estudo apontam que características
sociodemográficas, econômicas, clínicas e de utilização dos serviços de saúde associam-se ao
conhecimento sobre DMG e que ter esse conhecimento está relacionado aos comportamentos
saudáveis em saúde, exceto em relação ao consumo de alimentos ultraprocessados.
Abstract
Introduction: Gestational Diabetes Mellitus (GDM) is a growing public health concern and
has been described as a serious and neglected threat to the health of women and newborns. Most
cases occur mainly in low- and middle-income countries, where health resources are not well
structured to deal with such conditions. Although GDM is a temporary condition, women with
the disease and newborns have a higher risk of complications during pregnancy and later in life.
Therefore, women's knowledge about the disease and health behaviors are essential, not only
for maternal and fetal well-being, but also to prevent future complications. Objective: To
estimate the factors associated with knowledge about gestational diabetes mellitus and its
association with health behaviors in pregnant women with the disease. Methods: This is a
multicenter cross-sectional study, carried out with 546 pregnant women with GDM in Belo
Horizonte and Porto Alegre, using a self-administered instrument, separated into three domains:
knowledge about GDM; knowledge of nutritional values and food choice; and knowledge of
GDM self-management principles. To assess the factors associated with knowledge and the
association with health behaviors, Poisson regression with robust variance was performed,
considering the variable knowledge about GDM in the three domains and in the total
questionnaire, categorized as: higher prevalence of correct answers (when the sum of correct
answers per domain was 50% or more) and lower prevalence of correct answers (when the sum
of correct answers per domain was less than 50%). Results: The lowest percentages of correct
answers were questions related to basic knowledge about GDM and self-management
principles. In general, there was a worse performance in knowledge in Minas Gerais compared
to Rio Grande do Sul. In the multivariate analysis, in the final models, it was observed in domain
1 of the questionnaire that women who received prenatal care in the private health service had
a history of DM in the family and women who worked had a higher prevalence of correct
answers. In domain 2, women with higher education and living in the state of Porto Alegre had
a higher prevalence of correct answers, and BMI was positively associated with a higher
frequency of knowledge. And in domain 3, women who were younger, had a steady partner,
higher education, had a family history of DM, and who self-declared as white had a higher
prevalence of correct answers. Regarding health-related behaviors, in the models adjusted for
sociodemographic variables and BMI, it was found that women with a higher prevalence of
correct answers had a higher frequency of physical activity and consumption of fruits and
vegetables. However, no statistically significant association was observed between knowledge
about GDM and consumption of ultra-processed foods. Conclusion: The evidence from this
study indicates that sociodemographic, economic, clinical, and health service utilization
characteristics are associated with knowledge about GDM and that having this knowledge is
related to healthy health behaviors, except in relation to the consumption of ultra-processed
foods.
Assunto
Diabetes Gestacional, Gestantes, Epidemiologia, Conhecimento
Palavras-chave
Diabetes Gestacional, Gestantes, Epidemiologia, Conhecimento
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