Júlia Lopes de Almeida: uma flâneuse no auge da Belle Époque carioca
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
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Sabrina Sedlmayer Pinto
Nayara Silva de Noronha
Nayara Silva de Noronha
Resumo
A modernidade implicou no surgimento de novas figuras no plano literário, entre eles o flâneur, botânico do asfalto delineado na e pela obra de Charles Baudelaire. Ação marcadamente masculina, a flanação é pouco associada às mulheres, dadas as restrições de acesso à arena pública impostas a elas. Ainda assim, a flâneuse – mais do que mera versão feminina do flâneur – vem sendo cada vez mais discutida nos estudos literários, a fim de se recuperar a percepção das mulheres sobre o espaço urbano. Frente a isso, o presente trabalho tem como objetivo investigar a experiência urbana na obra da escritora carioca Júlia Lopes de Almeida através da manifestação da figura da flâneuse, concentrando-se em uma seleção de crônicas que compõem a coluna "Dois Dedos de Prosa", originalmente publicadas entre 1909 e 1912 no jornal O Paiz. Esses textos configuram-se como uma elaboração literária e um registro histórico do processo de modernização do Rio de Janeiro durante a Belle Époque, contexto em que a autora utiliza suas caminhadas e observações do cotidiano carioca como inspiração e matéria-prima para suas crônicas. Almeida aborda temas como as transformações físicas da cidade, a desigualdade social e as tensões entre o planejamento urbano oficial e a vivência dos habitantes. A análise revela uma perspectiva ambivalente da autora em relação à modernidade. Ao narrar suas flanações, Júlia Lopes de Almeida insere sua voz no debate público, contribuindo para a construção simbólica do espaço e evidenciando a complexidade da flânerie feminina em seu contexto histórico.
Abstract
Assunto
Almeida, Júlia Lopes de, 1862-1934 - Crítica e interpretação, Crônicas brasileiras - História e crítica, Cidades e vilas na literatura, Literatura e sociedade, Espaço e tempo na literatura, Mulheres e literatura
Palavras-chave
Flâneuse, Flâneur, Júlia Lopes de Almeida, Crônicas
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