Hamaca paraguaya: perda e trabalho de luto no cinema latino-americano contemporâneo
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
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Cesar Geraldo Guimaraes
Idelber Vasconcelos Avelar
Idelber Vasconcelos Avelar
Resumo
Como o filme paraguaio Hamaca Paraguaya (Paz Encina, 2006) cifra a história? O filme apresenta um casal de velhos sentados em uma rede, reclamando das intempéries do dia e da ausência do filho, que partiu para uma guerra e possivelmente lá morreu. A dissertação associa o longa-metragem a uma série de outros trabalhos, produzidos na América Latina dos anos 2000 em diante, que também lidam com experiências menores, comezinhas, banais, até insignificantes, reunidos por Galo Alfredo Torres (2011) sob a categoria neorrealismo cotidiano. Os grandes acontecimentos são elididos, dando lugar ao cotidiano de personagens simples em seu próprio ambiente, constituindo narrativas em que não acontece praticamente nada. Diferentemente do cinema produzido na América Latina dos anos 1960 e 1970, com uma posição declaradamente crítica com relação às mazelas do então chamado Terceiro Mundo, ao imperialismo norte-americano, à corrupção política, à exploração dos povos e à colonização de sua cultura, o cinema apontado por Torres parece se abster dessas questões. Segundo Andrea Molfetta (2011), o ímpeto crítico do cinema de outrora deu lugar a filmes que trabalham com personagens enlutados, presos ao passado, vivendo histórias que não avançam. Se é possível apontar essa mudança de posicionamento de um cinema para o outro, indagamos como Hamaca Paraguaya lida com a história, tendo como ponto de partida a questão da perda do filho. Para isso, problematizamos o conceito de neorrealismo cotidiano de Torres e os aspectos do cinema latino-americano contemporâneo apontados por Molfetta, e acionamos o neorrealismo italiano para discutir um cinema da perda. Através da análise da mise-en-scène, do extracampo e do tempo em Hamaca, sugerimos um filme em estado de melancolia.
Abstract
How does Hamaca Paraguaya (Paz Encina, 2006) impart history? The Paraguayan film presents an old couple laid down in a hammock, complaining about life matters and the absence of their son, who has joined the army and has probably died in the battlefield. The movie can be associated with a number of other Latin American films produced in the 21th century. They also deal with petty, trivial, even insignificant, experiences, that Galo Alfredo Torres (2011) grouped together under the label of daily neo-realism. The major events are suppressed, giving place to the everyday life of ordinary characters in their customary environment, engendering narratives in which virtually nothing happens. Contrary to the tendency of the Latin American cinema from the 1960's and 70's, which adopted an explicitly critical position towards the misery in the Third World, the North-American imperialism, the political corruption, the exploitation of people, and the cultural colonization, the cinema of Torres seems to refrain from these issues. According to Andrea Molfetta (2011), the creative impulse of the former movies has been replaced by films that present mourning characters stuck in the past, living a life that never moves forward. In an attempt to identify this change of attitude, we investigate how Hamaca deals with history, taking the absence of the son as the starting point of the analysis. To that end, we revise Torres concept of daily neo-realism and the traits of Latin-American contemporary cinema presented by Molfetta. We also resort to Italian neo-realism in order to discuss the idea of a cinema of absence. By analyzing the mise-en-scène, the off-screen and the temporality in Hamaca, we propose that this is a movie in state of melancholia.
Assunto
Hamaca paraguaya (Filme), Paraguai História e crítica, Comunicação, Cinema
Palavras-chave
Luto, Cinema latino-americano, Melancolia, Hamaca Paraguaya, Paraguai, Perda