Impulsividade no traumatismo cranioencefálico leve: investigação clínica, neuropsicológica e de biomarcadores séricos inflamatórios, neuronais e de dano vascular
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Paulo Pereira Christo
Antônio Jaeger
Vanessa Amaral Mendonça
Karina Braga Gomes Borges
Salvina Maria de Campos
Antônio Jaeger
Vanessa Amaral Mendonça
Karina Braga Gomes Borges
Salvina Maria de Campos
Resumo
Alterações cognitivas, comportamentais e neuropsiquiátricas são comumente observadas
em pacientes com Traumatismo Cranioencefálico (TCE) moderado e grave. Cada vez
mais surgem evidências de que pacientes com TCE leve também apresentam essas
alterações. O objetivo deste trabalho foi de investigar alterações cognitivas em pacientes
com TCE leve em estágio agudo e investigar alterações cognitivas e comportamentais e
marcadores associados em até um mês após o TCE. O resultado encontra-se dividido em
três estudos: 1) artigo sobre avaliação cognitiva no TCE leve em até 24 horas após o
trauma; 2) revisão sistemática sobre impulsividade no TCE; e 3) artigo sobre a avaliação
da impulsividade, aspectos cognitivo-comportamentais e de marcadores no sangue de
pacientes com TCE leve em até um mês pós TCE. A metodologia em comum dos estudos
1 e 3 incluiu pacientes com TCE leve atendidos no pronto atendimento da neurologia do
Hospital João XXIII em até 24 horas após o trauma. Os pacientes foram avaliados por
meio de testes cognitivos e escalas de autorrelato. No estudo 3, marcadores inflamatórios
e de dano neuronal e vascular também foram dosados no soro de pacientes e controles de
maneira exploratória. No estudo 1, pacientes com TCE leve (n=53) apresentaram pior
desempenho em cognição geral, memória episódica, aprendizagem e funcionamento
executivo quando comparados a controles (n=28). No estudo 2, observou-se grande
heterogeneidade nos estudos incluídos (n=39), com pacientes de diferentes gravidades,
diferentes métodos de diagnóstico do TCE, e tempos de avaliação com variação de 1 mês
a 63 anos pós TCE. Foi possível encontrar indícios de alterações cognitivas,
comportamentais e de autorrelato indicativos de impulsividade aumentada nos pacientes
em comparação a controles. No estudo 3, os pacientes com TCE leve (n=21) foram mais
impulsivos e ansiosos que controles (n=19) em até trinta dias após o TCE em medidas de
autorrelato. Também houve diferença nos marcadores copeptina, GRO,
LIGHT/TNFSF14, MMP9 e Lipocalina-2/NGAL, MIF, EGF, enolase/NSE e ECA.
Observou-se associação entre escores de impulsividade com os marcadores copeptina,
MMP9, Lipocalina-2, LIGHT, APP, NCAM, e com o TCE. Não houve diferença nas
medidas cognitivas. Os achados apontam para alterações do funcionamento cognitivo nos
pacientes com TCE leve no estágio agudo (Estudo 1), e alterações indicativas de
impulsividade nos pacientes com TCE (estudos 2 e 3), além de alterações em marcadores
indicando possíveis alterações no funcionamento do sistema nervoso central, relacionadas
à neuroinflamação, dano neuronal e vascular no TCE leve e impulsividade associada
(estudo 3). A identificação de alterações cognitivo-comportamentais e neuropsiquiátricas
e compreensão de fatores fisiopatológicos associados a essas alterações podem contribuir
para o desenvolvimento de melhor assistência e acompanhamento ao paciente vítima de
TCE leve, além de elucidar aspectos relacionados à fisiopatologia do TCE leve, indicando
futuros caminhos para o desenvolvimento de intervenções clínicas.
Abstract
Cognitive, behavioral, and neuropsychiatric changes are commonly observed in patients
with moderate and severe traumatic brain injury (TBI). Growing evidence supports that
patients with mild TBI also have these changes. The aim of this work was to investigate
cognitive alterations in patients with mild TBI in the acute stage and to investigate
cognitive and behavioral alterations and associated biomarkers up to one month after TBI.
The result is divided into three studies: 1) article on cognitive assessment in mild TBI up
to 24 hours after trauma; 2) systematic review of impulsivity in TBI; and 3) article on the
assessment of impulsivity, cognitive and behavioral changes, and blood markers in mild
TBI patients within one month after TBI. The common methodology of studies 1 and 3
included patients with mild TBI treated at the neurology emergency room at Hospital
João XXIII up to 24 hours after mild TBI. Patients were assessed using cognitive tests
and self-report scales. In study 3, inflammatory, neuronal, and vascular markers were also
measured in the serum of patients and controls in an exploratory manner. In study 1,
patients with mild TBI (n=53) had worse performance in general cognition, episodic
memory, learning and executive functioning compared to controls (n=28). In study 2,
there was great heterogeneity in the included studies (n=39), with patients of different
severities, different methods of diagnosis of TBI, and time of assessment ranging from 1
month to 63 years after TBI. It was possible to find evidence of cognitive, behavioral and
self-report changes indicative of increased impulsivity in patients compared to controls.
In study 3, patients with mild TBI (n=21) were more impulsive and anxious than controls
(n=19) within 30 days after TBI on self-report measures. Mild TBI patients presented
higher blood levels of copeptin, GRO, LIGHT/TNFSF14, MMP9 and Lipocalin2/NGAL, and lower levels of MIF, EGF, enolase/NSE and ECA compared to controls.
There was an association between impulsivity scores with the markers copeptin, MMP9,
Lipocalin-2, LIGHT, APP, NCAM, and with TBI. There was no difference in cognitive
measures. The findings point out changes in cognitive functioning in patients with mild
TBI in the acute stage (Study 1), and to changes indicative of impulsivity in patients with
TBI (studies 2 and 3). In addition, findings regarding the blood markers may indicate
changes in central nervous system, related to neuroinflammation, neuronal and vascular
damage in mild TBI and its association to impulsivity (study 3). The identification of
cognitive-behavioral and neuropsychiatric alterations may contribute to the development
of better care and follow-up to patients suffering from mild TBI. Additionally, the better
comprehension of mild TBI pathophysiology may open new avenues for the development
of novel therapy strategies focus in prevent or minimize mild TBI cognitive and
behavioral outcomes.
Assunto
Neurociências, Avaliação neuropsicológica, Lesões Encefálicas Traumáticas, Função executiva, Inflamação
Palavras-chave
Neurociências, Avaliação neuropsicológica, Lesões encefálicas traumáticas, Função executiva, Inflamação, Impulsividade