Violências e resistências: impactos do rompimento da barragem da Samarco, Vale e BHP Billiton sobre a vida das mulheres atingidas em Mariana/MG.

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Primeiro orientador

Membros da banca

Letícia Cardoso Barreto
Maria Isabel Antunes Rocha
Lívia de Oliveira Borges
Cristiana Losekann

Resumo

Diante do crime do rompimento da barragem da Samarco, cujas controladoras são duas das maiores mineradoras do mundo, Vale e BHP Billiton, ocorrido em Mariana/MG no dia 5 de novembro de 2015 e seus efeitos de destruição de comunidades inteiras, do rastro de estragos e mortes que deixou pelo caminho, descendo pelo rio doce, litoral do Espirito Santo, até o litoral da Bahia, esta tese teve como objetivo central, investigar os efeitos/impactos do crime da Samarco sobre e vida das mulheres atingidas do município de Mariana/MG. Nos itinerários de campo dessa pesquisa participante, acompanhamos por mais de dois anos e meio o cotidiano das comunidades atingidas de Mariana, in loco, além de participar de audiências públicas, reuniões entre atingidos, empresas e poder público, registradas em diário de campo, foi realizada também pesquisa documental de decisões judiciais, atas e reportagens jornalísticas referentes ao caso e entrevistas com 5 mulheres atingidas. Diante da imersão no campo e das contribuições teóricas e metodológicas da psicologia social comunitária latino-americana e da teoria feminista compreendemos que a lama deixada pelo crime da Samarco, física e também simbólica, transforma-se em violência das mais distintas ordens na condução das ações ditas de “reparação”, executadas pelas empresas e pelo poder público. Assim, destacamos a importância de compreender o rompimento de fundão como consequência da violência estrutural do capitalismo, ou seja, como parte de um sistema nefasto que têm como tônica o espólio, a exploração e a violência. O latifúndio, o espólio das nossas reservas naturais para o grande mercado internacional nos mantem em uma condição de país semicolonial. Observamos que as violências em Mariana/MG se atualizam cotidianamente na vida dos atingidos e atingidas na forma de violência institucional, psicossocial e patriarcal. Diante deste cenário, é especialmente sobre as mulheres que recaem os maiores efeitos deste crime, ficando evidente a relação estrutural entre capital, patriarcado e seus sistemas de opressão. Em Mariana essa opressão sobre as mulheres se apresenta como negação de direitos por parte das empresas, sobretudo, os trabalhistas, uma vez que a perda do trabalho das mulheres, especialmente aqueles ligados ao âmbito rural, não foi reconhecido pelas empresas e por isso tiverem negado o direito de receber o cartão de auxílio financeiro, ainda passaram a ser “dependentes” de seus maridos, pois, o cartão foi concedido ao homem considerado pelas empresas como o “chefe da família”. Também foi sobre as mulheres que recaíram as maiores demandas de cuidados sobre os filhos e parentes que adoeceram após a tragédia gerando grande sobrecarga de trabalho, aliado a isso, somam-se ainda as demandas de participação nas muitas agendas e reuniões para tratar da reparação dos danos. Nossa tese central, é que o crime da Samarco, Vale e BHP Billiton intensifica e amplia a violência patriarcal sobre as mulheres. Destacamos também as resistências que os atingidos e atingidas, especialmente as mulheres têm empreendido na luta por direitos, pela memória e pela história de suas comunidades.

Abstract

Assunto

Palavras-chave

Violência, Mulheres, Mariana/MG, Samarco, Resistência

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