DO RETRATO DE NINGUÉM: um estudo sobre a impessoalidade da imagem retratada
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Eliana Scotti Muzzi
Paulo Fonseca Andrade
Neide das Graças de Souza Bortolini
Roberto Bethônico Figueiredo
Paulo Fonseca Andrade
Neide das Graças de Souza Bortolini
Roberto Bethônico Figueiredo
Resumo
Esta pesquisa consiste em um estudo sobre o retrato pintado e tem
como objetivo mostrar que a imagem retratada surge na tela como um “outro”,
um “alguém” indeterminado que deixa de ter uma relação direta com o modelo
do quadro, tornando-se impessoal.
Para tal estudo, tomam-se como referência principal as formulações
teóricas de Maurice Blanchot que partem da experiência da escrita e do
estatuto da imagem como ambiguidade. A noção de neutro, formulada pelo
autor, terá um importante papel nesta nossa abordagem, sustentando as
questões colocadas aqui sobre o retrato. Articuladas a ela, estarão também as
noções de fora, fascínio, solidão essencial, e tempo de ausência de tempo.
Jean-Luc Nancy e Georges Didi-Huberman são autores eleitos para
estabelecer um diálogo com Blanchot no intuito de contribuir para o
entendimento das noções complexas a que propõe esta pesquisa: Nancy com
seus estudos sobre o retrato e sua noção de distinto, e Didi-Huberman pelos
apontamentos sobre a semelhança e pela trama do olhar que apresenta. Ao
longo do texto, outros autores vão sendo convidados a trazer suas
contribuições, como Giorgio Agamben, Michel Foucault e Roger Laporte. Ao
final da pesquisa, a ficção Mr. Gwyn de Alessandro Barrico vem iluminar as
questões abordadas, nos trazendo um retratista sem retrato.
O estudo nos conduz por um caminho de desestabilização da
semelhança, da linearidade temporal e da identidade, levando-nos à
impessoalidade da imagem retratada, que, desvinculada de seu referente,
torna-se um retrato de ninguém.
Abstract
Cette recherche comporte une étude sur le portrait peint, et se propose
à montrer que l'image portraiturée surgit sur la toile tel qu'un "autre", un
"quelqu'un" indeterminé, qui n'aura plus de rapport direct avec le modèle du
tableau, devenant impersonnelle.
Pour telle étude on a pris comme reférence principale les formulations
théoriques de Maurice Blanchot qui ont comme point de départ l'expérience de
l'écrit et le statut de l'image en tant qu'ambiguité. Les questions rapportées ici
sur le portrait s’appuient sur la notion de neutre, formulée par l'auteur, qui joue
un rôle important dans cette approche. Associées à cette notion de neutre, se
présentent aussi les concepts de dehors, de fascination, de solitude essentielle
et de temps de l'absence de temps.
Les auteurs Jean-Luc Nancy et Georges Didi-Huberman ont été choisis
pour établir un dialogue avec Blanchot dans le but de contribuer à la
compréhension des notions complexes auxquelles se propose cette recherche :
Nancy avec ses études sur le portrait et sa notion de distinct, et Didi-Huberman
par ses notations sur la ressemblance et par la trame du regard qu'il présente.
Tout au long du texte, d'autres auteurs apportent leurs contributions, tels que
Giorgio Agamben, Michel Foucault et Roger Laporte. À la fin de la recherche, la
fiction Mr Gwyn de Alessandro Barrico vient illuminer les questions abordées,
en nous présentant un portraitiste sans portrait.
L'étude nous conduit vers une voie de déstabilisation de la
ressemblance, de la linéarité temporelle ainsi que de l'identité et nous entraîne
à l'impersonnalité de l'image portraiturée, qui, dissociée de son référent, devient
un portrait de personne.
Assunto
Arte-Pintura, Auto-retratos, Representação (Filosofia), Percepção visual
Palavras-chave
Arte-Pintura, Auto-retratos, Representação (Filosofia), Percepção visual