Os antropólogos do daime : a bebida professora e as etnografias
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Edgar Rodrigues Barbosa Neto
Edward John Baptista das Neves MacRae
Eduardo Viana Vargas
Maria Betânia Barbosa Albuquerque
Edward John Baptista das Neves MacRae
Eduardo Viana Vargas
Maria Betânia Barbosa Albuquerque
Resumo
Nesta tese, apresento uma análise sobre o trabalho de antropólogos que realizaram pesquisas no contexto do Daime e das religiões ayahuasqueiras. O trabalho se situa entre uma autoetnografia –pois sou eu próprio um antropólogo fardado no Daime, que pesquisa, escreve e publica sobre
essa religião –, uma metaetnografia – uma antropologia da antropologia –, e um experimento de história metodológica da disciplina, inspirada na noção de “história teórica da antropologia” proposta por Mariza Peirano. Examino as particularidades das imersões, do trabalho de campo e
da escrita etnográfica de antropólogos que, em grande parte, são ou foram adeptos do Daime. Num primeiro momento, apresento uma descrição dos diversos contextos rituais de consumo da ayahuasca, para então discutir as imponderabilidades do trabalho de campo que envolve a ingestão de uma bebida de propriedades psicoativas. Para tanto, mobilizo as noções de afeto e afecção, a partir dos trabalhos de Jeanne Favret-Saada e das leituras deleuzianas dos escritos setecentistas de Spinoza. Em seguida, apresento as trajetórias de meus interlocutores – dezenove pesquisadores e pesquisadoras, em sua maioria antropólogos, que investigaram e publicaram sobre o Daime e outras religiões ayahuasqueiras – trajetórias essas que, de diferentes modos, se constituem no entrelaçamento entre Daime e antropologia. Elaboro uma justaposição das falas desses interlocutores para discutir as características do trabalho de campo e da escrita etnográfica no contexto daimista, as quais, apesar da singularidade desse universo, oferecem elementos para repensar o ofício etnográfico em sentido mais amplo. Parto da premissa de que o Daime é uma “bebida professora”, dotada de dispositivos pedagógicos próprios para ensinar e comunicar-se com os humanos: as mirações, as peias, os insights, os constrangimentos e as passagens. A experiência visionária com a bebida torna-se, assim, não apenas um aspecto do trabalho de campo, mas um verdadeiro laboratório etnográfico, onde os pesquisadores elaboram suas interpretações e narrativas. Nesse contexto, a produção acadêmica se encontra intimamente
vinculada à experiência ritual, na qual o Daime exerce agência na construção dos textos etnográficos. Reconhecendo essa agência e a complexa trama de relações entre antropólogos e Daime – e indo além da categoria “antropólogo ayahuasqueiro”, proposta por Beatriz Labate –
proponho a categoria “antropólogos do Daime”, para designar aqueles cuja pesquisa e escrita se enraízam na experiência ritual e no aprendizado oferecido pela própria bebida e a religião.
Abstract
Assunto
Antropologia - Teses, Etnografia - Teses, Ayahuasca Teses
Palavras-chave
Antropologia, Etnografia, Daime, Bebida professora