Os antropólogos do daime : a bebida professora e as etnografias

dc.creatorSaulo Conde Fernandes
dc.date.accessioned2026-04-08T14:00:29Z
dc.date.issued2025-12-15
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/2400
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso aberto
dc.subjectAntropologia - Teses
dc.subjectEtnografia - Teses
dc.subjectAyahuasca Teses
dc.subject.otherAntropologia
dc.subject.otherEtnografia
dc.subject.otherDaime
dc.subject.otherBebida professora
dc.titleOs antropólogos do daime : a bebida professora e as etnografias
dc.typeTese de doutorado
local.contributor.advisor-co1Magda dos Santos Ribeiro
local.contributor.advisor-co1Latteshttp://lattes.cnpq.br/6380671523490095
local.contributor.advisor1Rogério Brittes Wanderley Pires
local.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/2881447174476629
local.contributor.referee1Edgar Rodrigues Barbosa Neto
local.contributor.referee1Edward John Baptista das Neves MacRae
local.contributor.referee1Eduardo Viana Vargas
local.contributor.referee1Maria Betânia Barbosa Albuquerque
local.creator.Latteshttp://lattes.cnpq.br/2946846229271374
local.description.resumoNesta tese, apresento uma análise sobre o trabalho de antropólogos que realizaram pesquisas no contexto do Daime e das religiões ayahuasqueiras. O trabalho se situa entre uma autoetnografia –pois sou eu próprio um antropólogo fardado no Daime, que pesquisa, escreve e publica sobre essa religião –, uma metaetnografia – uma antropologia da antropologia –, e um experimento de história metodológica da disciplina, inspirada na noção de “história teórica da antropologia” proposta por Mariza Peirano. Examino as particularidades das imersões, do trabalho de campo e da escrita etnográfica de antropólogos que, em grande parte, são ou foram adeptos do Daime. Num primeiro momento, apresento uma descrição dos diversos contextos rituais de consumo da ayahuasca, para então discutir as imponderabilidades do trabalho de campo que envolve a ingestão de uma bebida de propriedades psicoativas. Para tanto, mobilizo as noções de afeto e afecção, a partir dos trabalhos de Jeanne Favret-Saada e das leituras deleuzianas dos escritos setecentistas de Spinoza. Em seguida, apresento as trajetórias de meus interlocutores – dezenove pesquisadores e pesquisadoras, em sua maioria antropólogos, que investigaram e publicaram sobre o Daime e outras religiões ayahuasqueiras – trajetórias essas que, de diferentes modos, se constituem no entrelaçamento entre Daime e antropologia. Elaboro uma justaposição das falas desses interlocutores para discutir as características do trabalho de campo e da escrita etnográfica no contexto daimista, as quais, apesar da singularidade desse universo, oferecem elementos para repensar o ofício etnográfico em sentido mais amplo. Parto da premissa de que o Daime é uma “bebida professora”, dotada de dispositivos pedagógicos próprios para ensinar e comunicar-se com os humanos: as mirações, as peias, os insights, os constrangimentos e as passagens. A experiência visionária com a bebida torna-se, assim, não apenas um aspecto do trabalho de campo, mas um verdadeiro laboratório etnográfico, onde os pesquisadores elaboram suas interpretações e narrativas. Nesse contexto, a produção acadêmica se encontra intimamente vinculada à experiência ritual, na qual o Daime exerce agência na construção dos textos etnográficos. Reconhecendo essa agência e a complexa trama de relações entre antropólogos e Daime – e indo além da categoria “antropólogo ayahuasqueiro”, proposta por Beatriz Labate – proponho a categoria “antropólogos do Daime”, para designar aqueles cuja pesquisa e escrita se enraízam na experiência ritual e no aprendizado oferecido pela própria bebida e a religião.
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentFAF - DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA E ARQUEOLOGIA
local.publisher.initialsUFMG
local.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Antropologia
local.subject.cnpqCIENCIAS HUMANAS
local.subject.cnpqCIENCIAS HUMANAS::ANTROPOLOGIA

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