Decolonialidade e divulgação científica: entre teoria e prática em um projeto de extensão com crianças

dc.creatorJuliane dos Santos Amorim
dc.date.accessioned2022-09-16T15:06:05Z
dc.date.accessioned2025-09-09T01:31:34Z
dc.date.available2022-09-16T15:06:05Z
dc.date.issued2019-11-25
dc.description.abstractChildren's University (UC) is a term that has been used to designate a possible format for outreach projects with children, and has become prominent during the last decade, when a large number of universities worldwide have started, engagement programs for children aged 4 to 14 years. The scientific dissemination project entitled University of Children of the Federal University of Minas Gerais (UC-UFMG), has a history of more than 13 years of work and research in the area of scientific dissemination to / with children. With a highly diversified team, the project has had the collaboration of professors from different areas of knowledge, graduate and undergraduate students from different courses, mainly in Social Communication, Fine Arts and Medicine. The methodology used by the project is its own and was built throughout its years of existence and is based on Freire's pedagogy and on the theory of “free choice learning”, which enable the construction of knowledge according to the reality of each child and of each participating adult, who brings their interests and experiences with them. Within the scope of the UC-UFMG, questions and inquiries that children present to us guide all practices, including workshops, production of animation shorts, radio programs and books. If initially the UCs approach was quite traditional, with regard to communication, important reflections on the perception of childhood and children have subsidized changes in practices with this audience and pointed to other possibilities for dialogue. From a less adult-centered approach, this research aimed to carry out analyzes of the relationships that take place in the workshops with children, and having as theoretical support decolonial studies and the sociology of childhood, raising possibilities for reflections that may contribute to the field of Scientific Dissemination, mainly with children. The methodological devices used for data collection were participant observation from the perspective of action research, through recording in a field diary with subsequent expansion of notes and also records in videos, photos and drawings. The workshops were planned based on spontaneous questions from children about the human body theme, which were previously collected. We conducted a total of 16 workshops, with 2 groups of children of different ages, a group aged 5 to 6 years, and other groups aged 9 to 12 years, the group of mediators, had 5 undergraduate students, 3 graduate students, and the project coordinator, the workshops were held in schools and at the Education and Communication Center in Life Sciences (NEDUCOM), the period for conducting the studies was in the 1st semester of 2016 and the 2nd semester of 2017. From a floating “reading” of the videos, some conditions of decoloniality were identified, namely: visibility of diversities; respect for singularities; appreciation of the child's history and / or culture; practices and speeches of resistance and conflicts. And through the researcher's interpretation, we analyzed the words or expressions that translated, the interactions, forces, feelings and emotions of the participants. According to previous guidelines given to mediators, children should be free to move around the environment, to use time and to select and handle objects. From the analysis of documentary videos of meetings with the children, we observe that they resist by various means, which do not necessarily pass through oral language, but by other means such as bodily movements, transgressions in the way of using space, time and objects. It started from the understanding of resistance as epistemic disobedience and / or transgression of the knowledge construction process. According to decolonial studies, resisting implies not only struggles, but also the construction and creation of something new, a change in paradigm, patterns, resisting everything that can be oppressive. From resistance movements, children give visibility to their bodies, knowledge and subjectivities, which are obscured by adult-centeredness in school environments and oppressors. Mediators sought to avoid interventions that could restrict freedom of choice or that could put the child in invisibility and / or passivity, characterizing a process of heteronomy. If, on the one hand, the mediator tended to respect the children's choices most of the time, on the other hand, he / she did not fail to mark his space, to establish “agreed upon” and to take care that each child also respected the desire of “the other”. From the analysis of these results, reflections on scientific dissemination with children emerged, with potential relevance in guiding practices permeated by autonomy and freedom of choice, and in this study also, examples of resistance, autonomy, transdisciplinarity in the context of the UC-UFMG extension project will be presented and discussed in the light of decolonial studies.
dc.description.sponsorshipCNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
dc.description.sponsorshipCAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
dc.description.sponsorshipOutra Agência
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/45245
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.subjectBiologia celular
dc.subjectExtensão universitária
dc.subjectCriança
dc.subjectDivulgação científica
dc.subject.otherDecolonização
dc.subject.otherUniversidade das Crianças
dc.subject.otherProjeto de extensão
dc.subject.otherDivulgação científica
dc.titleDecolonialidade e divulgação científica: entre teoria e prática em um projeto de extensão com crianças
dc.typeTese de doutorado
local.contributor.advisor-co1Francisco Ângelo Coutinho
local.contributor.advisor1Débora d’Avila Reis
local.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/1384125441325829
local.contributor.referee1Irlan von Linsingen
local.contributor.referee1Luana Pereira Leite Schetino
local.contributor.referee1Juliana Carvalho Tavares
local.contributor.referee1Denise Nacif Pimenta
local.creator.Latteshttp://lattes.cnpq.br/7845355054767220
local.description.resumoUniversidade das Crianças (UC) é um termo, que vem sendo utilizado para designar um formato possível de projetos de extensão com crianças, e tornou-se proeminente durante a última década, quando um grande número de universidades no mundo todo iniciou, programas de engajamento científico para crianças, com idades entre 4 e 14 anos. O projeto de divulgação científica intitulado Universidade das Crianças da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem uma história de mais de 13 anos de trabalho e pesquisa na área de divulgação científica para/com o público infantil. Com uma equipe bastante diversificada, o projeto tem contado com a colaboração de professores de diversas áreas do conhecimento, de alunos de pós-graduação e de graduação oriundos de diversos cursos, principalmente da Comunicação Social, Belas Artes e Medicina. A metodologia utilizada pelo projeto é própria e foi construída ao longo de seus anos de existência e se baseia na pedagogia freireana e na teoria da “aprendizagem por livre escolha”, que possibilitem a construção de um conhecimento de acordo com a realidade de cada criança e de cada adulto participante, que traz consigo seus interesses e suas experiências. No âmbito do UC-UFMG, perguntas e questionamentos que as crianças nos apresentam norteiam todas as práticas, incluindo oficinas, produção de curtas de animação, programas de rádio e livros. Se inicialmente a abordagem das UCs era bastante tradicional, no que diz respeito à comunicação, reflexões importantes sobre a percepção de infância e de criança têm subsidiado mudanças nas práticas com esse público e apontado para outras possibilidades de diálogo. A partir de uma abordagem menos adultocentrada, essa pesquisa teve por objetivo realizar análises das relações que acontecem nas oficinas com as crianças, e tendo como suporte teórico os estudos decoloniais e a sociologia da infância, levantando possibilidades de reflexões que possam contribuir para o campo da Divulgação Científica, principalmente com crianças. Os dispositivos metodológicos utilizados para coleta de dados foram a observação participante na perspectiva da investigação ação, através de registro em diário de campo com posterior expansão de notas e também os registros em vídeos, fotos e desenhos. As oficinas foram planejadas a partir de perguntas espontâneas das crianças sobre o tema corpo humano, que foram previamente coletadas. Realizamos um total de 16 oficinas, com 2 grupos de crianças de idades diferentes, um grupo com idade de 5 à 6 anos, e outros grupo com idades de 9 à 12 anos, o grupo de mediadores, contou com 5 alunos de graduação, 3 alunos de pós-graduação, e a coordenadora do projeto, as oficinas foram realizadas nas escolas e no Núcleo de Educação e Comunicação em Ciências da Vida (NEDUCOM), o período de realização dos estudos foi no 1º semestre de 2016 e 2º semestre de 2017. A partir de uma “leitura” flutuante dos vídeos foi identificado algumas condições de decolonialidade, sendo elas: visibilização das diversidades; respeito às singularidades; valorização da história e/ou da cultura da criança; práticas e falas de resistência e de conflitos. E através da interpretação da pesquisadora, analisamos as palavras ou expressões que traduziam, as interações, forças, sentimentos e emoções dos participantes. De acordo com as orientações prévias passadas aos mediadores, as crianças deveriam ter liberdade para se deslocar no ambiente, para utilizar o tempo e para selecionar e manusear os objetos. A partir da análise de vídeos documentais de encontros com as crianças observamos que elas resistem por diversos meios, que não necessariamente passam pela linguagem oral, mas por outros meios tais como movimentos corpóreos, transgressões no modo de se utilizar o espaço, o tempo e os objetos. Partiu-se do entendimento de resistência como desobediência epistêmica e/ou transgressão do processo de construção do saber. Segundo os estudos decoloniais, resistir implica não somente em lutas, mas também em construção e criação de algo novo, mudança de paradigma, de padrões, resistir a tudo aquilo que possa ser opressor. A partir de movimentos de resistência, as crianças dão visibilidade a seus corpos, saberes e subjetividades, que se encontram obscurecidos pelo adultocentrismo em ambientes escolarizados e opressores. Os mediadores procuravam evitar intervenções que pudessem cercear a liberdade de escolhas ou que pudessem colocar a criança na invisibilidade e/ou na passividade, caracterizando um processo de heteronomia. Se por um lado o(a) mediador(a) tendia na maior parte do tempo a respeitar as escolhas das crianças, por outro ele(a) não deixava de marcar seu espaço, de estabelecer “combinados” e de cuidar para que cada criança respeitasse também o desejo “do outro”. Da análise desses resultados emergiram reflexões sobre divulgação científica com crianças, com potencial relevância na orientação de práticas permeadas pela autonomia e liberdade de escolhas, e nesse estudo também, exemplos de resistência, autonomia, transdisciplinaridade no contexto do projeto de extensão UC-UFMG serão apresentados e discutidos à luz dos estudos decoloniais.
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentICB - DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA GERAL
local.publisher.initialsUFMG
local.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Biologia Celular

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