Identificação de fatores relacionados com desfecho negativo no TCE grave antes e durante a pandemia do COVID-19 no Brasil
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Alexandre Varella Giannetti
João Vinicius Salgado
João Vinicius Salgado
Resumo
O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma condição bastante heterogênea e pode culminar
em um espectro de desfechos que varia desde casos sem sequelas até casos com sequelas graves
ou óbito. Trata-se de uma das causas mais comuns de morbimortalidade em todo o mundo e
possui elevado impacto social e econômico global. A definição prognóstica dos pacientes
vítimas de TCE é capaz de interferir na intervenção clínica e alinhar expectativas entre a equipe
assistente e a família. A individualização do cuidado depende da compreensão das
circunstâncias em que o trauma ocorreu, bem como de características demográficas, sociais e
culturais. A pandemia de COVID-19 impactou diretamente o comportamento da sociedade
pelas medidas de isolamento social em diversos países do mundo, incluindo o Brasil. Como
essas foram medidas inéditas, há grande interesse em compreender os impactos do lockdown
sobre as doenças e os serviços de saúde. Esse entendimento é muito importante para otimizar
possíveis complicações inesperadas, antecipar consequências relacionadas à acessibilidade aos
serviços de saúde e garantir a adequada alocação de recursos para tratar e prevenir condições
não relacionadas à COVID-19. O presente estudo objetivou registrar os índices de TCE
moderado e grave, avaliar os desfechos funcionais e de mortalidade na população adulta antes
e durante o período da pandemia e identificar variáveis relacionadas com esses desfechos em
um centro de trauma no Brasil. Foi realizado um estudo transversal, retrospectivo e
observacional, com utilização de dados de prontuário de admissão e de alta hospitalar de
pacientes vítimas de TCE grave e moderado, levando em consideração idade, Escala de Coma
de Glasgow (ECG) na admissão, sexo, se foram submetidos a abordagem cirúrgica, uso de
álcool no momento do trauma, uso prévio de antiagregantes ou anticoagulantes, taxas de
mortalidade e desfecho funcional utilizando a escala Glasgow Outcome Scale (GOS). Não
houve diferença estatística na incidência de TCE moderado e grave nem nas taxas de
mortalidade nos períodos de maio de 2019 e maio de 2020. Houve maior número de admissões
relacionadas ao uso de álcool e drogas no período da pandemia e foi demonstrado haver uma
correlação entre o uso dessas substâncias com pior desfecho. Além disso, observou-se, na
avaliação dos dois períodos, uma correlação positiva entre idade mais avançada, ECG mais
baixa, presença de comorbidades prévias, uso de antiagregantes, alterações relatadas na
Tomografia de Crânio e o uso de álcool e drogas com piores desfechos funcionais e óbito, com
p-valor < 0,05. O estudo reforça a identificação de fatores previamente já conhecidos por
estarem relacionados a desfechos negativos no TCE moderado e grave e evidencia maior
presença de alguns deles no contexto da pandemia. Esses achados podem contribuir para a
otimização de estratégias de saúde pública voltadas para a prevenção e o tratamento do TCE
moderado e grave em situações de crises pandêmicas e de isolamento social.
Abstract
Traumatic brain injury (TBI) is a highly heterogeneous condition and can result in a spectrum
of outcomes ranging from cases without sequelae to cases with severe sequelae or death. It is
one of the most common causes of mortality and morbidity worldwide and represents a
significant global social and economic problem. For this reason, it must be continuously
studied. The prognostic definition of TBI patients can influence the clinical intervention as well
as align expectations between the medical team and the family. Individualized care depends on
understanding the circumstances in which the trauma occurred, as well as demographic, social,
and cultural characteristics. The COVID-19 pandemic impacted societal behavior through
social isolation measures and the closure of commerce and services in various countries,
including Brazil. As these were unprecedented measures, there is significant interest in
understanding the impact of lockdowns on diseases and healthcare services. This understanding
is crucial for optimizing potential unexpected complications, anticipating consequences related
to access to healthcare services, and ensuring proper allocation of resources to treat conditions
unrelated to COVID-19. The present study aimed to record the incidence of moderate and
severe TBI, assess functional and mortality outcomes in the adult population before and during
the pandemic period, and identify variables related to these outcomes at a trauma center in
Brazil. A cross-sectional, retrospective, and observational study was conducted using admission
and discharge data from approximately 100 patients with severe and moderate TBI. Information
considered included age, Glasgow Coma Scale (GCS) upon admission, sex, whether they
underwent surgical intervention, alcohol use at the time of trauma, prior use of antiplatelet or
anticoagulant agents, mortality rates, and functional outcomes using the Glasgow Outcome
Scale (GOS). There was no statistical difference in the incidence of moderate and severe TBI
or in mortality rates during the assessed periods. There was a higher number of admissions
related to alcohol and drug use during the pandemic, and a correlation was demonstrated
between the use of these substances and worse outcomes. Additionally, in the evaluation of
both periods, a positive correlation was observed between older age, lower GCS, presence of
pre-existing comorbidities, use of antiplatelet agents, reported changes in cranial tomography,
and the use of alcohol and drugs with worse functional outcomes and death, with a p-value <
0.05.The study reinforces the identification of factors previously known to be related to
negative outcomes in moderate and severe TBI and highlights the increased presence of some
of these factors in the context of the pandemic. These findings may contribute to optimizing
public health strategies aimed at the prevention and treatment of moderate and severe TBI in
pandemic and social isolation crisis situations.
Assunto
Neurociências, Traumatismos Craniocerebrais, Pandemias, Covid- 19, Alcoolismo
Palavras-chave
Traumatismo Cranioencefálico, Moderado, Grave, Pandemia, Neurocirurgia, Desfecho, Álcool