Desfechos clínicos da COVID-19 em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico: dados do Registro ReumaCoV-Brasil
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Debora Cerqueira Calderaro
Odirlei André Monticielo
Carolina Coimbra Marinho,
Claudia Diniz Lopes Marques
Gilda Aparecida Ferreira
Odirlei André Monticielo
Carolina Coimbra Marinho,
Claudia Diniz Lopes Marques
Gilda Aparecida Ferreira
Resumo
Introdução: O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença crônica do tecido conjuntivo
com alta morbidade e mortalidade relacionada à infecção. Desde o início da pandemia do
novo coronavírus (SARS-CoV-2), o impacto desta infecção emergente nos pacientes com
LES tem sido motivo de preocupação. Objetivos: Avaliar o impacto da COVID-19 nos
pacientes com LES. Métodos: Trata-se de um estudo de coorte observacional, prospectivo e
multicêntrico. Pacientes adultos com LES e COVID-19 foram comparados com um grupo
controle (pacientes com LES sem diagnóstico de COVID-19). Os grupos foram avaliados na
inclusão (V0), imediatamente após a COVID-19 (V1), três e seis meses após a infecção (V2 e
V3). A atividade do LES foi mensurada pela avaliação global do paciente (PGA) e pelo LES
Disease Activity Index 2000 (SLEDAI-2K). Exacerbação da atividade de doença foi definida
como qualquer variação acima de três pontos no SLEDAI-2K e atividade persistente de
doença como SLEDAI-2K acima de três pontos em duas avaliações consecutivas.
Resultados: 715 pacientes com LES foram incluídos, 363 (50,7%) no grupo caso e 352
(49,3%) no grupo controle. O grupo caso teve maior média de idade, 41 anos (12,38) versus
38,8 anos (12,07) no controle (p=0,017). Não houve diferença entre os grupos no baseline em
relação às comorbidades, tratamentos ou aos índices de atividade de doença. Hipertensão
arterial [OR 2,48 (IC 95% 1,04–5,91), p = 0,041], ciclofosfamida [OR 14,32 (IC 95% 2,12–
96,77), p=0,006], dispneia [OR: 7,10 (IC 95% 3,10–16,23), p < 0,001] e suspensão do
tratamento do LES durante a infecção pelo SARS-CoV-2 [5,38 (IC 95% 1,97–15,48),
p=0,002] foram independentemente associadas a maior chance de hospitalização por COVID19. Pacientes que receberam suporte por telemedicina apresentaram menor risco de internação
[OR 0,33 (IC 95% 0,12–0,88), p = 0,02]. O grupo controle apresentou redução significativa
do PGA [0.24 (95% CI: -0.39 to -0.09), p=0.001] e do SLEDAI-2K [0.85 (95% CI: 0.76 to
0.96) p=0.010] ao longo do tempo, enquanto as medianas do grupo caso permaneceram
estáveis. O grupo caso apresentou maior freqüência de pacientes com exacerbação da
atividade de doença ou atividade persistente de doença [74 (18.5%) versus 33 (10.5%),
p=0.001]. COVID-19 em qualquer momento foi associado à maior risco de exacerbação da
atividade de doença ou de atividade persistente [OR=1.70 (95% CI: 1.06 to 2.74), p=0.029].
Conclusão: Hipertensão e ciclofosfamida foram associadas a piores desfechos, e a
telemedicina parece ser uma ferramenta útil para pacientes com LES com COVID-19.
COVID-19 foi associado com exacerbação da atividade do LES nesta amostra de pacientes
Abstract
Background: Systemic Lupus Erythematosus (SLE) is a chronic connective tissue disease
with high morbidity and mortality due to infection. Since the beginning of the novel
coronavirus (COVID-19) pandemic, the impact of this emerging infection on SLE patients
has been a cause for concern. Objectives: To assess the impact of COVID-19 on SLE patiens.
Methods: a multicenter, observational, and prospective cohort study. SLE adult patients with
COVID-19 (case group) were compared to SLE patients without COVID-19 (control group).
Assessments were performed at baseline (V0), immediately after COVID-19 (V1), and three
and six months after infection (V2 and V3). Disease activity was evaluated by patient global
assessment (PGA) and the modified SLE Disease Activity Index 2000 (SLEDAI-2K). A flare
was defined as increase in SLEDAI-2K score greater than three and persistent disease activity
was measured by SLEDAI-2K greater than three over two consecutive visits. Results: 715
SLE patients were included, 363 (50.7%) with COVID-19 and 352 (49.3%) in the control
group. The COVID-19 group had higher mean age 41 years (12.38) versus 38.8 years (12.07)
in the control (p=0.017). There was no difference between groups at baseline regarding
comorbidities, treatment or disease activity indices. Arterial hypertension (OR 2.48 [CI 95%
1.04–5.91], p = 0.041), cyclophosphamide (OR 14.32 [CI 95% 2.12–96.77], p = 0.006),
dyspnea (OR: 7.10 [CI 95% 3.10–16.23], p < 0.001) and discontinuation of SLE treatment
medication during infection (5.38 [CI 95% 1.97–15.48], p = 0.002), were independently
associated with a higher chance of hospitalization related to COVID-19. Patients who
received telemedicine support presented a 67% lower chance of hospitalization (OR 0.33 [CI
95% 0.12–0.88], p = 0.02). The control group showed a significant reduction in PGA [0.24
(95% CI: -0.39 to -0.09), p=0.001] and SLEDAI-2K [0.85 (95% CI: 0.76 to 0.96) p=0.010]
throughout the visits (Generalized Estimating Equations regression model) while in the case
group the scores remained stable. Case group presented more frequent flares or persistent
disease activicty [74 (18.5%) versus 33 (10.5%), p=0.001]. COVID-19 at any time in the
study was linked to a higher chance of a flare or persistent disease activict [OR=1.70 (95%
CI: 1.06 to 2.74), p=0.029]. Conclusion: Hypertension and cyclophosphamide were
associated with a severe outcome, and telemedicine can be a useful tool for SLE patients with
COVID-19. COVID-19 were associated with flare in this sample of SLE patients
Assunto
Lúpus Eritematoso Sistêmico, COVID-19, SARS-CoV-2, Doenças Autoimunes
Palavras-chave
Lupus, Infecção, COVID-19, Atividade de Doença