Variabilidade glicêmica em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DMT2): o papel da melatonina em um estudo crossover, duplo cego, placebo controlado, randomizado.
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
Título alternativo
Glycemic variability in patients with type 2 diabetes mellitus (T2DM): the role of melatonin in a crossover, double blind, placebo controlled, randomized study.
Primeiro orientador
Membros da banca
Hani Camille Yehia
Maristela de Oliveira Poletini
Maria Paz Loayza Hidalgo
Fernanda Gaspar do Amaral
Augusto Carvalho Miranda
Maristela de Oliveira Poletini
Maria Paz Loayza Hidalgo
Fernanda Gaspar do Amaral
Augusto Carvalho Miranda
Resumo
O diabetes mellitus tipo 2 (DMT2) é uma doença caracterizada por hiperglicemia
crônica. A melatonina é um hormônio que sinaliza a fase de claro e escuro e tem papel
fundamental nos ritmos biológicos. Estudos prévios têm demonstrado que pacientes com
DMT2 apresentam deficiência na produção de melatonina. O papel dessa substância na
hiperglicemia de pacientes com DMT2 vem sendo amplamente estudado. Entretanto,
acreditamos que a melatonina possa influenciar mais o ritmo circadiano de variação da glicose
do que a sua média. Neste trabalho procuramos avaliar se a suplementação de 3mg de
melatonina às 21:00 poderia reduzir a variação da glicemia capilar de pacientes com DMT2.
Para isso, elaboramos um estudo crossover, duplo cego, placebo controlado e randomizado. 30
pacientes participaram desse estudo. 15 deles seguiram a sequência de intervenção: placebo (7
dias) - washout (7 dia) - melatonina (7 dias), e outros 15: melatonina (7 dias) - washout (7 dias)
- placebo (7 dias). Nos dias 5, 6 e 7 da primeira e da terceira semana os pacientes aferiram
glicemias capilares pré e pós prandiais, um total de 6 aferições ao dia. No sétimo a variação
absoluta entre as glicemias pré e pós prandiais do café da manhã foi maior quando os pacientes
usaram a melatonina. Além disso, a amplitude da variação glicêmica entre o pós jantar do sexto
dia e o jejum do sétimo dia foi maior quando os pacientes usaram a melatonina. Há duas formas
teóricas de explicar o primeiro resultado: a melatonina inibi receptores celulares acoplados à
proteína G durante o período noturno. Pela manhã, após a queda dos seus níveis séricos, essa
via intracelular, poderia tornar-se hipersensibilizada e aumentar bruscamente a produção de
hormônios contrarreguladores da insulina. Outra possível explicação para esse resultado é o
possível efeito residual da melatonina exógena pela manhã, que pela inibição da insulina pode
gerar uma resposta hiperglicêmica à dieta. O segundo resultado desse trabalho pode ser
explicado pelos efeitos prospectivos distais da melatonina. A melatonina age diretamente na
supressão da atividade do complexo Clock/Bmal1. Um efeito inibitório prolongado sobre este
complexo poderia levar a uma sincronização anormal, errática, no relógio biológico e na
amplitude glicêmica. Este estudo concluiu que o uso de melatonina a curto prazo pode alterar
a variabilidade glicêmica de pacientes com DMT2. Futuros estudos, de mais longo prazo são
necessários para investigar o papel desse hormônio na variabilidade glicêmica desses pacientes.
Abstract
Type 2 diabetes mellitus (DMT2) is a disease characterized by chronic hyperglycemia.
Melatonin, a hormone that signals the phase of our circadian rhythm, plays a key role in
biological rhythms. Previous studies have shown that patients with DMT2 have a deficiency in
the production of melatonin. The role of this substance in the hyperglycemia of patients with
T2DM has been widely studied. However, we believe that melatonin may influence the
circadian rhythm of glucose variation more than its average. In this work, we tried to evaluate
whether the supplementation of 3mg of melatonin at 21:00 could reduce the variation of
capillary glycemia in patients with T2DM. For this, we designed a crossover, double blind,
placebo controlled and randomized study. 30 patients participated in this study. 15 of them
followed the intervention sequence: placebo (7 days) - washout (7 days) - melatonin (7 days),
and another 15: melatonin (7 days) - washout (7 days) - placebo (7 days). On the 5th, 6th and
7th days of the first and third week, the patients measured pre- and postprandial capillary
glycemia, a total of 6 measurements per day. In the seventh, the absolute variation between pre and post-prandial breakfast glucose levels was greater when patients used melatonin. In
addition, the range of glycemic variation between the sixth day after dinner and the seventh day
fasting was greater when patients used melatonin. There are two theoretical ways to explain the
first result: Melatonin inhibits G protein-coupled cellular receptors during the night. In the
morning, after the drop in serum levels, this intracellular pathway could become hypersensitive
and suddenly increase the production of insulin counter-regulatory hormones. Another possible
explanation for this result is the possible residual effect of exogenous melatonin in the morning,
which, by inhibiting insulin, can generate a hyperglycemic response to the diet.. Melatonin acts
directly to suppress Clock/Bmal1 complex activity. A prolonged inhibitory effect on this
complex could lead to abnormal, erratic synchronization in the biological clock and glycemic
amplitude. This study concluded, therefore, that the short-term use of melatonin can alter the
glycemic variability of patients with T2DM. Future, longer-term studies are needed to
investigate the role of this hormone in the glycemic variability of these patients.
Assunto
Neurociências, Diabetes Mellitus Tipo, Melatonina, Glicemia
Palavras-chave
Diabetes, Melatonina, Variabilidade glicêmica, Crossover
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