Doppler transcraniano e doença cerebrovascular em crianças com anemia falciforme acompanhadas no Hemocentro de Belo Horizonte/MG

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Membros da banca

Ana Cláudia Celestino Bezerra Leite
Célia Martins Campanaro
Roberta Maia de Castro Romanelli
Camila Silva Peres Cancela

Resumo

O acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) é complicação grave da anemia falciforme (AF). O Doppler Transcraniano (DTC) é instrumento de rastreamento de risco para AVCi. O objetivo geral do estudo foi descrever o uso do DTC na detecção da doença cerebrovascular (DCV) em crianças com AF. Os objetivos específicos foram classificar os resultados dos exames de DTC quanto ao risco de AVCi; descrever a evolução clínica de crianças com AF que apresentaram alto risco para AVCi pelo DTC ou nas quais detectaram-se alterações relevantes na angiorressonância magnética (ARM) e que se submeteram ao programa de transfusão regular (PTR) e/ou hidroxiureia (HU) entre 2007-2018; e comparar o grupo de crianças nascidas entre 2005 e 2008, seguidas até 2014, com aquelas nascidas entre 2009 e 2012, seguidas até 2018, verificando a incidência de DTC alterado e os desfechos observados. Trata-se de estudo de coorte neonatal, retrospectivo/prospectivo, com crianças nascidas entre 1999-2014, com HbSS ou Sβ0-talassemia, que realizaram DTC pelo menos uma vez. As informações foram retiradas dos prontuários médicos e lançadas num banco de dados. A coorte constou de 712 crianças, 372 do sexo feminino e 340, do masculino. A maioria delas (94,0%) apresentou o subtipo SS. Dez crianças (1,4%) faleceram durante o seguimento clínico, por causas não relacionadas à DCV. Foram realizados 3.235 exames de DTC. Destes, 2.303 (71,2%) foram classificados como “baixo risco” e 162 (5,0%) “alto risco”. A idade média ao primeiro exame de DTC foi de 3,3 anos. Detectou-se DTC de alto risco (n=45) ou ARM com vasculopatia cerebral (n=9), quando o DTC era inconclusivo, em 54 crianças (7,5%), todas com HbSS. Dentre estas, 51 iniciaram PTR; em três houve recusa familiar. De 43 crianças com DTC de alto risco que iniciaram a PTR, 29 (67,4%) apresentaram reversão para baixo risco. Em 18 delas (62%) iniciou-se HU na dose máxima tolerada (DMT) antes da suspensão das transfusões. Não se observou AVCi em nenhum desses 29 casos. Oito crianças (18,6%) mantiveram alto risco ao DTC, mesmo utilizando a associação PTR/HU; duas sofreram AVCi. Das 45 (6,3%) crianças da coorte global que sofreram AVCi, 33 (73,3%) apresentaram o evento antes da realização do primeiro exame de DTC. Quanto ao uso da hidroxiureia, 455 crianças (63,9%) a iniciaram por um ou mais critérios de inclusão de acordo com o Ministério da Saúde, sendo 127 crianças (27,9%) por motivo de DCV, isoladamente ou em associação com outras indicações. Comparando-se dois subgrupos da coorte conforme a data de nascimento das crianças (2005-2008 versus 2009-2012), a diferença, quando foram somados os eventos que caracterizavam DCV, não foi estatisticamente significativa: 12,6% vs 10,4% (P= 0,61). Em conclusão, o DTC confirmou-se como instrumento viável para rastreamento de casos com risco de AVCi. As transfusões profiláticas foram efetivas para a prevenção do evento primário. Novas estratégias para prevenção de AVCi com HU e novas drogas, além do transplante de medula óssea, são necessárias.

Abstract

Assunto

Anemia Falciforme, Acidente Vascular Cerebral, Prevenção Primária, Ultrassonografia Doppler Transcraniana, Hidroxiureia

Palavras-chave

Anemia falciforme, Prevenção primária, Hidroxiureia, Acidente vascular cerebral, Ultrassonografia doppler transcraniana

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