O impacto do nível de evidência científica em preprints sobre Covid-19: a atenção online recebida em seus compartilhamentos no Twitter (X) Brasil
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Resumo
O nível de evidência científica das pesquisas desempenha um importante papel no debate público da ciência e na tomada de decisões em protocolos de saúde, especialmente em crises como a pandemia de COVID-19. No contexto da comunicação científica rápida, na forma de preprint, o nível de evidência é ainda mais essencial, uma vez que a circulação desta modalidade de publicação pode ser benéfica para a tomada de decisões emergenciais, mas também exige cautela na interpretação dos dados. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar o nível de evidência científica dos preprints sobre COVID-19 compartilhados no Twitter (X) no Brasil, entre 2020 e junho de 2023 e o impacto desses compartilhamentos no debate público sobre
a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Método: O estudo mapeou na base Dimensions os preprints sobre COVID-19 com maior pontuação altmétrica entre os anos de 2020 a junho de 2023, identificando o nível de evidência científica de cada um deles, bem como o teor de seus compartilhamentos no Twitter (X). Foram utilizados procedimentos de revisão de literatura, pesquisa documental, análise da evidência científica das pesquisas, análise de conteúdo e análise altmétrica. Resultados: Dentre os 55 preprints que compõe o corpus do presente estudo, 15 deles foram depositados em 2020, 27 em 2021 e 13 em 2022. Quanto aos repositórios, 43 preprints foram depositados no medRxiv, 10 no bioRxiv e 2 no Research Square. A categorização dos estudos apontou que 30% dos preprints foram classificados como "Prevenção", 27% como "Estudos Clínicos", 18% como "Variantes", 16% como "Transmissão" e 7% como "Tratamento-Drogas". Mundialmente, os preprints classificados como "Estudos Clínicos" obtiveram maior atenção online com 188.561 compartilhamentos, seguidos dos estudos de "Prevenção" com 181.833 compartilhamentos. Os preprints classificados como "Variantes", "Transmissão" e "Tratamento-Drogas"obtiveram respectivamente 104.242, 98.921 e 38.689 compartilhamentos. No caso do Brasil, os preprints classificados como "Transmissão" obtiveram 3.640 compartilhamentos, seguidos dos estudos sobre "Tratamento- Drogas", com 2.522 compartilhamentos e
"Estudos Clínicos", com 2.079 compartilhamentos. Houve menor atenção online e debate público dos preprints classificados como "Prevenção" e "Variantes" que
alcançaram, respectivamente 1.967 e 708 compartilhamentos. A pesquisa identificou que quanto mais baixo o nível de evidência científica dos preprints, mais eles foram compartilhados, tanto no Brasil como mundialmente. Mensagens categorizadas como "movimento anti-vacina" foram as mais recorrentes e parte expressiva dos usuários se autoapresenta como "conservador". Conclusões: O presente estudo constatou uma tendência à disseminação de notícias falsas e ou deturpadas a partir da então eminente produção científica sobre a pandemia do novo coronavírus. O elevado nível de desinformação presente nesses compartilhamentos evidenciou a necessidade de que informações científicas sejam interpretadas a partir de evidências científicas, em
contraposição a discursos contrários à ciência.
Abstract
O nível de evidência científica das pesquisas desempenha um importante papel no
debate público da ciência e na tomada de decisões em protocolos de saúde,
especialmente em crises como a pandemia de COVID-19. No contexto da
comunicação científica rápida, na forma de preprint, o nível de evidência é ainda mais
essencial, uma vez que a circulação desta modalidade de publicação pode ser benéfica
para a tomada de decisões emergenciais, mas também exige cautela na interpretação
dos dados. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar o nível de evidência
científica dos preprints sobre COVID-19 compartilhados no Twitter (X) no Brasil, entre
2020 e junho de 2023 e o impacto desses compartilhamentos no debate público sobre
a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Método: O estudo mapeou na base
Dimensions os preprints sobre COVID-19 com maior pontuação altmétrica entre os
anos de 2020 a junho de 2023, identificando o nível de evidência científica de cada um
deles, bem como o teor de seus compartilhamentos no Twitter (X). Foram utilizados
procedimentos de revisão de literatura, pesquisa documental, análise da evidência
científica das pesquisas, análise de conteúdo e análise altmétrica. Resultados: Dentre
os 55 preprints que compõe o corpus do presente estudo, 15 deles foram depositados
em 2020, 27 em 2021 e 13 em 2022. Quanto aos repositórios, 43 preprints foram
depositados no medRxiv, 10 no bioRxiv e 2 no Research Square. A categorização dos
estudos apontou que 30% dos preprints foram classificados como <Prevenção=, 27%
como <Estudos Clínicos=, 18% como <Variantes=, 16% como <Transmissão= e 7% como
<Tratamento-Drogas=. Mundialmente, os preprints classificados como <Estudos
Clínicos= obtiveram maior atenção online com 188.561 compartilhamentos, seguidos
dos estudos de <Prevenção= com 181.833 compartilhamentos. Os preprints
classificados como <Variantes=, <Transmissão= e <Tratamento-Drogas=obtiveram
respectivamente 104.242,98.921 e 38.689 compartilhamentos. No caso do Brasil, os
preprints classificados como <Transmissão= obtiveram 3.640 compartilhamentos,
seguidos dos estudos sobre <Tratamento- Drogas=, com 2.522 compartilhamentos e
<Estudos Clínicos=, com 2.079 compartilhamentos. Houve menor atenção online e
debate público dos preprints classificados como <Prevenção= e <Variantes= que
alcançaram, respectivamente 1.967 e 708 compartilhamentos. A pesquisa identificou
que quanto mais baixo o nível de evidência científica dos preprints, mais eles foram
compartilhados, tanto no Brasil como mundialmente. Mensagens categorizadas como
<movimento anti-vacina= foram as mais recorrentes e parte expressiva dos usuários se
autoapresenta como <conservador=. Conclusões: O presente estudo constatou uma
tendência à disseminação de notícias falsas e ou deturpadas a partir da então eminente
produção científica sobre a pandemia do novo coronavírus. O elevado nível de
desinformação presente nesses compartilhamentos evidenciou a necessidade de que
informações científicas sejam interpretadas a partir de evidências científicas, em
contraposição a discursos contrários à ciência.
Assunto
Ciência da informação, Comunicação na ciência, COVID- 19 Pandemia, 2020-2023, Desinformação, Redes sociais on-line
Palavras-chave
Comunicação científica; Evidência científica. COVID-19; Altmetria; Desinformação.