A morte continuamente na boca: tradução poética de 18 sonetos, contendo um estudo sobre a morte e sua meditação na obra de Jacques Roubaud

dc.creatorGuilherme Cunha Ribeiro
dc.date.accessioned2023-11-06T13:42:45Z
dc.date.accessioned2025-09-09T00:34:05Z
dc.date.available2023-11-06T13:42:45Z
dc.date.issued2023-06-30
dc.description.abstractCette étude propose une traduction poétique de 18 sonnets de la série intitulée Square des Blancs-Manteaux qui intègre le livre La forme d’une ville change plus vite, hélas, que le cœur d’un mortel (1999) du poète français Jacques Roubaud. Ayant le but d’atteindre l’aspect poétique de la traduction, c’est la forme la catégorie qui soutient cette pratique et qui organise les choix du traducteur. Cette conception établit un intense dialogue avec les formulations de Haroldo de Campos, dans des essais publiés en 1967 et 1987, portant sur l’ « isomorphisme » et le « paramorphisme » de la traduction. L’accompagne une étude de la topique déjà traditionnelle, en histoire et de la philosophie et de la poésie, de la méditation de la mort. Elle a pour but de montrer la connexion intime qui s’établit entre ces sonnets du tournant du XX siècle et la tradition de la poésie dévotionnelle française, qui y est représentée notamment à travers les noms de Jean du Clicquet de Flammermont (?) et Jean de Sponde (1557-1595). La récupération de cette topique s’arrête brièvement sur des moments-clés : l’hellénisme ancien et la méditation sous la perspective des philosophies du bien vivre (le stoïcisme, l’épicurisme etc.) ; la façon par laquelle cette forme de méditation est incorporée aux courants chrétiens ; les formes esthétiques et doctrinaires qu’elle acquiert autour de la Renaissance, ayant compte notamment du thème macabre et de la poésie de l’ubi sunt et de la vanité. Cette longue chaîne permet de voir les métamorphoses et les répétitions de ce thème dans l’œuvre de Jacques Roubaud. Ce qu’on accentue, c’est l’immanence d’un monde sans aucun type d’au-delà ni d’espoir de rencontre, où le néant, essence de la mort, est le champ d’une transcendance vide du sujet, lequel se voit immergé dans l’inévitabilité de l’absence. Sur ce fond, ressortent de ces poèmes la parodie, le commentaire ironique, l’inversion, le déplacement de sens, la récurrence de certains donnés sémantiques accumulatives ou d’aspect circulaire et surtout l’attitude de résignation. Ils élaborent une métamorphose de la tradition, dont la veine est traditionnellement chrétienne, pour laquelle la mort serait la vraie vie. En même temps, l’auteur maintient un goût accentué de la recherche formelle qui se concentre sur un maniérisme de la forme. Sont récurrents l’image à effet visuel, la séduction sonore, l’emploi de l’ordination en série comme principe constitutif des poèmes eux-mêmes – important aspect des pratiques de la méditation en général. Pourtant, au sein même de cette discussion, on arrive à ce qui constitue l’acte de méditation transposé en poème : la dramatisation de soi et avec soi-même.
dc.description.sponsorshipCAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/60495
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/pt/
dc.subjectRoubaud, Jacques, 1932- – Crítica e interpretação
dc.subjectPoesia francesa – Traduções para o português
dc.subjectTradução e interpretação
dc.subjectPoesia devocional francesa – História e crítica
dc.subjectMorte na literatura
dc.subjectMeditação na literatura
dc.subject.otherJacques Roubaud
dc.subject.otherPoesia devocional
dc.subject.otherPoesia francesa
dc.subject.otherMeditação
dc.subject.otherTradução poética
dc.titleA morte continuamente na boca: tradução poética de 18 sonetos, contendo um estudo sobre a morte e sua meditação na obra de Jacques Roubaud
dc.typeDissertação de mestrado
local.contributor.advisor1Maria Juliana Gambogi Teixeira
local.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/8284759021266358
local.contributor.referee1Sérgio Alcides Pereira do Amaral
local.contributor.referee1Guilherme Gontijo Flores
local.creator.Latteshttps://lattes.cnpq.br/3391463939671855
local.description.resumoEsta dissertação propõe uma tradução poética de 18 sonetos da série intitulada Square des Blancs-Manteaux, que integra o livro La forme d’une ville change plus vites, hélas, que le cœur d’un mortel (1999) do poeta francês Jacques Roubaud. A fim de alcançar o aspecto poético da tradução, a forma é a categoria que baliza sua prática e organiza as escolhas do tradutor. Essa concepção dialoga principalmente com as formulações de Haroldo de Campos, em ensaios publicados em 1967 e 1987, sobre “isomorfismo” e “paramorfismo”. Acompanha a tradução um estudo da tópica, já tradicional na história da filosofia e da poesia, da meditação da morte. Com ele, se pretende mostrar a ligação íntima que existe entre esses sonetos da virada do s. XX e a tradição da poesia devocional francesa, representada sobretudo pelos nomes de Jean du Clicquet de Flammermont (?) e Jean de Sponde (1557-1595). A recuperação dessa tópica estaciona brevemente em momentos-chave: o helenismo antigo e a meditação na perspectiva das filosofias do bem viver (estoicismo, epicurismo etc.); o modo como esta forma de meditação é incorporada pelas correntes cristãs; suas formulações estéticas e doutrinárias no período que circunda o Renascimento, com ênfase nos temas macabros e na poesia do ubi sunt e da vaidade. A longa corrente permite ver as repetições e as metamorfoses do tema em Jacques Roubaud. Em sua obra, o acento recai na imanência de um mundo sem qualquer tipo de além ou esperança de encontro, em que o nada, essência da morte, constitui o campo de transcendência vazia do sujeito, mergulhado na inevitabilidade da ausência. Desse modo, sobressaem nesses poemas a paródia, o comentário irônico, a inversão e o deslocamento de sentido, o uso de padrões semânticos acumulativos e circulares e, sobretudo, a atitude resignada. Eles metamorfoseiam a tradição, de veio tradicionalmente cristão, da afirmação da morte como verdadeira vida. Em paralelo, se mantém um gosto acentuado pela pesquisa formal, se concentrando num maneirismo da forma. É recorrente a imagem de efeito visual, a sedução do som e o uso da ordenação em série como princípio constitutivo dos próprios poemas – aspecto importante das práticas meditativas. Contudo, em destaque no cerne dessa conversa está a entranha do que caracteriza a meditação transposta em poema: a dramatização de si e consigo mesmo.
local.identifier.orcidhttps://orcid.org/0000-0002-2783-2355
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentFALE - FACULDADE DE LETRAS
local.publisher.initialsUFMG
local.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Estudos Literários

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