O tempo originário em Martin Heidegger : a interpretação heideggeriana da imaginação transcendental de Kant

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Wagner Dalla Costa Félix
Giorgia Cecchinato

Resumo

A presente dissertação propõe uma reconstrução da leitura de Heidegger da filosofia de Kant exposta na Crítica da Razão Pura (1781), conforme apresentado especialmente nas obras Kant e o problema da metafísica (1929) e Interpretação fenomenológica da Crítica da Razão Pura de Kant (1927-28). Segundo Heidegger, em sua busca pela fundamentação do conhecimento, Kant teria, de fato, antecipado a tese da temporalidade originária constitutiva do Dasein, mas teria recuado dessa descoberta na segunda edição da CRP, em 1787. A tese central é de que a imaginação transcendental (Einbildungskraft) vinculada ao tempo é a raiz comum das duas fontes do conhecimento (intuição e entendimento), tendo essa concepção sido fundamental para a formulação de Ser e Tempo (1927) e para o que Heidegger denomina de "destruição da ontologia tradicional". O trabalho é estruturado em três capítulos. O primeiro aborda a questão do tempo, diferenciando a concepção vulgar e científica em relação à temporalidade (Zeitlichkeit) concebida como unidade ekstática do tempo (futuro, passado e presente) com certa primazia do futuro. O segundo capítulo detalha a importância de Kant para Heidegger e os sentidos de sua interpretação da filosofia transcendental kantiana como fundamentação da ontologia, em detrimento do enquadramento (predominante no neokantismo) da CRP como teoria do conhecimento. O terceiro capítulo foca na interpretação heideggeriana da tríplice síntese da imaginação na primeira edição da CRP (A99-A103), destacando o modo pelo qual o tempo puro é revelado: a síntese da apreensão na intuição (relacionada ao presente); a síntese da reprodução na imaginação (relacionada ao passado) e a síntese da recognição no conceito (relacionada ao horizonte do possível, ao futuro). Afirmando divergências interpretativas com o neokantismo e com Beatrice Longuenesse, que enfatiza o papel do poder de julgar (Urteilskraft) em contraste com a primazia da imaginação transcendental defendida por Heidegger, o trabalho sustenta a importância para a obra de Heidegger da ênfase no papel constitutivo da imaginação como espontaneidade receptiva.

Abstract

Assunto

Filosofia - Teses, Imaginação (Filosofia) - Teses, Ontologia - Teses, Heidegger, Martin, 1889-1976, Kant, Immanuel, 1724-1804

Palavras-chave

Heidegger, Crítica da razão pura, Temporalidade, Síntese tripla, Imaginação transcendental

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