Câncer de boca em pacientes com tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS), Brasil: análise de sobrevida (2005 - 2009)

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Introdução: O controle do câncer é um dos grandes desafios da saúde pública. O câncer de boca é considerado de alta incidência no mundo, apresentando altas taxas de morbidade e baixas taxas de sobrevida em 5 anos. O câncer de boca é definido como doença multifatorial, resultante da interação dos fatores etiológicos que afetam os processos de controle e reparação celular, como tabaco e álcool. O câncer de boca, conforme sua localização, é assintomático nos seus estágios iniciais, e sua detecção poderá ocorrer quando já em estágios avançados. O diagnóstico precoce reduz as complicações decorrentes do tratamento, e pode evitar sequelas estéticas e funcionais, além de aumentar a sobrevida e cura do paciente. Objetivo: Analisar a sobrevida de pacientes com câncer de boca, que iniciaram tratamento no SUS, no período de 2005-2009. Metodologia: Estudo observacional analítico de coorte retrospectivo utilizando a Base Nacional em Oncologia, desenvolvida por meio de pareamento determinístico-probabilístico dos sistemas de informação de saúde: ambulatorial (SIA), hospitalar (SIH) e de mortalidade (SIM). As probabilidades de sobrevida global foram estimadas pelo tempo decorrido entre a data do primeiro tratamento, entre 2005 e 2009, até o óbito dos pacientes ou 5 anos de acompanhamento. Utilizou-se o método de Kaplan-Meier para estimar a sobrevida e o teste de Log-rank. A análise dos fatores associados à sobrevida foi realizada via modelo estendido de Cox. Resultados: Dos 12.606 pacientes estudados, 79,5% apresentavam-se no estádio III e IV e 77% eram do sexo masculino. A sobrevida global em cinco anos foi estimada em 34,1% (IC95% 33,3–34,9) e os seguintes fatores foram associados à menor sobrevida: estádio III (1,75; IC95% 1,20-2,56), estádio IV (1,91; IC95% 1,69-2,16) aos 12 meses; apresentar comorbidade durante o tratamento (5,21; IC95% 2,87-9,40) no 1º mês, apresentar internações durante o tratamento (HR=1,24; IC95% 1,06 -1,46). Pacientes que a modalidade de tratamento realizou cirurgia apresentaram menor risco ao óbito (0,04; IC95% 0,03-0,05), assim como a combinação de radioterapia e quimioterapia (0,22; IC95% 0,18-0,27) e radioterapia exclusiva (0,83; IC95% 0,69-0,99) quando comparados aos pacientes com tratamento quimioterápico exclusivo no 1º mês de acompanhamento. Conclusão: O diagnóstico tardio da neoplasia, apresentar comorbidade e pacientes que foram internados e receberam apenas quimioterapia como tratamento oncológico foram os fatores relacionados à pior sobrevida dos pacientes com câncer de boca.

Abstract

Assunto

Análise de Sobrevida, Boca, Neoplasias Bucais, Sistema Único de Saúde

Palavras-chave

Análise de Sobrevida, Sistema Único de Saúde, Neoplasias Bucais

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