Iniquidades raciais na realização de Transplante Renal entre pacientes em terapia renal substitutiva tratados pelo Sistema Único de Saúde no Brasil de 2008 a 2015
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Ana Cristina Simoes e Silva, Membro
Lidyane do Valle Camelo, Professora do Magistério
Etna Kaliane Pereira da Silva
Lidyane do Valle Camelo, Professora do Magistério
Etna Kaliane Pereira da Silva
Resumo
A doença renal crônica (DRC) acomete 1 a cada 10 pessoas no mundo. Essa condição não possui cura, e o tratamento, nos estágios finais é realizado por meio da Terapia Renal Substitutiva (TRS), como a hemodiálise, a diálise peritoneal ou o transplante renal, sendo este último o tratamento que oferece ao paciente melhor qualidade de vida e sobrevida. As principais causas da DRC são doenças de bases com alta prevalência e que muitas vezes estão relacionados com condições de vida. As condições em que as pessoas nascem, crescem e se desenvolvem estão intimamente relacionadas a condições de saúde. No Brasil a população negra possui um histórico de desenvolvimento desigual devido ao racismo estrutural, o qual as deixou em desvantagens econômicas, sociais e isso reflete em piores condições de saúde nessa população. O objetivo deste estudo foi avaliar a existência de iniquidades na realização e no tempo de espera pelo transplante renal por raça/cor de pele pelo Sistema Único de Saúde do Brasil. Trata-se de um estudo de coorte retrospectiva não concorrente de 2008 até 2015, os dados são baseados em dados secundários de pacientes com idade igual ou maior de 18 anos de ambos os sexos em TRS no SUS, selecionados da Base Nacional de Saúde Centrada no Indivíduo. Para determinar o tempo que o paciente demora até a realização do transplante renal, foi feito as curvas de incidência acumulada, aplicando-se o teste de Gray, considerando o nível de significância de 95%. Para entender entre as covariáveis do estudo quais em conjunto com a variável raça/cor de pele de pele interferiram no tempo de espera para a realização do transplante renal foi utilizado riscos proporcionais para riscos competitivos de Fine-Gray (Hazard ratio - HR), considerando a significância de 95%. Um total de 199.305 pacientes fizeram parte do estudo, sendo a maioria do sexo masculino, residia na região sudeste do Brasil, tinha 50 anos ou mais e era branco. Os pacientes da raça/cor de pele branca em TRS eram mais velhos quando comparados com a raça/cor de pele negra. Do total de participantes do estudo, 12.352 realizaram o transplante renal, a maioria era da raça/cor de pele branca e tinham até 59 anos. Na comparação do tempo de espera para o transplante, observou-se que pacientes negros aguardaram mais tempo do que os brancos para realizar o procedimento. No modelo de regressão de Gray, verificou-se que pacientes negros apresentaram uma probabilidade 27% menor de realizar o transplante renal em comparação com pacientes brancos. Esses achados reforçam a existência de iniquidades raciais no acesso ao transplante renal no Brasil.
Abstract
Chronic kidney disease (CKD) affects 1 in 10 individuals worldwide. This condition is incurable, and treatment in its final stages is performed through Renal Replacement Therapy (RRT), such as hemodialysis, peritoneal dialysis, or kidney
transplantation, the latter being the treatment that provides patients with the best quality of life and survival. The main causes of CKD are highly prevalent underlying diseases, often related to living conditions. The circumstances in which individuals are born, grow, and develop are closely linked to health outcomes. In Brazil, the Black population has a history of unequal development due to structural racism, which has resulted in economic and social disadvantages and is reflected in poorer health conditions in this population. The objective of this study was to assess inequities in the access to and waiting time for kidney transplantation by race/skin color within the Brazilian Unified Health System (Sistema Único de Saúde - SUS). This is a retrospective non-concurrent cohort study from 2008 to 2015, based on secondary data of patients aged 18 years or older, of both sexes, undergoing RRT within SUS, selected from the National Individual-Centered Health Database. To determine the waiting time until kidney transplantation, cumulative incidence curves were constructed, and Gray’s test was applied considering a 95% significance level. To identify which covariates, along with race/skin color, influenced the waiting time for transplantation, the Fine-Gray competing risks proportional hazards model (Hazard Ratio - HR) was used, also considering a 95% confidence interval. A total of 199,305 patients were included in the study, the majority male, residing in the Southeast region of Brazil, aged 50 years or older, and identified as White. White patients undergoing RRT were older compared to Black patients. Among the study participants, 12,352 underwent kidney transplantation, most of whom were White and aged up to 59 years. When comparing waiting times for transplantation, Black patients waited longer than White patients to receive the procedure. In the Fine-Gray regression model, Black patients had a 27% lower probability of receiving a kidney transplant compared to White patients. These findings reinforce the existence of racial inequities in access to kidney transplantation in Brazil.
Assunto
Transplante de Rim, Fatores de Tempo, Insuficiência Renal Crônica, Diálise Renal, Fatores Socioeconômicos, Estudos de Coortes, Prevalência, Falência Renal Crônica, População Negra, Diálise Peritoneal, Grupos Raciais, Qualidade de Vida, População Branca
Palavras-chave
doença renal crônica, transplante renal, raça, cor de pele, iniquidades raciais, Sistema Único de Saúde