Utilização da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar para o sistema de vigilância em saúde dos adolescentes brasileiros

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tipo

Dissertação de mestrado

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Primeiro orientador

Membros da banca

Max Moura de Oliveira
Mariana Santos Felisbino Mendes
Alexandra Dias Moreira
Crizian Saar Gomes

Resumo

A adolescência é marcada por complexas transformações biopsicossociais influenciadas por fatores como vulnerabilidades sociais e pobreza. Comumente ocorre nessa fase a adoção de comportamentos de risco para a saúde. O sistema de vigilância em saúde do Brasil conta com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) que investiga comportamentos e aspectos de saúde dos adolescentes. Esse estudo objetivou analisar a utilização da PeNSE para o sistema de vigilância em saúde dos adolescentes brasileiros. Trata-se de uma pesquisa avaliativa, dividida em três passos metodológicos: no primeiro, realizou-se uma revisão bibliométrica norteada pela pergunta “quais as produções científicas que utilizaram os resultados da PeNSE como fonte de dados?”; no segundo, avaliou-se o questionário do aluno utilizado pela PeNSE e seus livros de resultados de cada edição divulgados pelo IBGE, além do questionário do aluno utilizado pelo GSHS. Analisaram-se as mudanças relacionadas à amostra, representatividade e desagregação da PeNSE e avaliação dos módulos temáticos e total de questões que os compunham, na pesquisa brasileira e no GSHS. Avaliaram-se as alterações ocorridas nas perguntas e no percentual de similaridade entre edições da PeNSE, bem como sua comparabilidade com o GSHS. No terceiro passo estimaram-se as prevalências e o intervalo de confiança de 95% para indicadores de alimentação, atividade física e uso de drogas, com dados da PeNSE 2015 (amostra 2) e 2019. Os resultados mostraram que 131 estudos utilizaram a PeNSE como fonte de dados, o maior número de publicações ocorreu em 2018 (n=29), em português (n=60) e a Universidade Federal de Minas Gerais a principal instituição de vinculação dos autores. A PeNSE apresentou mudanças em sua amostra, representatividade, desagregação, módulos temáticos e quantidade de perguntas que compunham o questionário do aluno. Em 2009 contou com 108 questões, passando para 158 em 2019. A PeNSE 2019 apresentou módulos temáticos parcialmente comparáveis à edição de 2015, como o módulo de saúde mental (33% similar) e também módulos totalmente incomparáveis como os módulos “Asma” e “Peso e Altura”, ambos com similaridade igual a 0%. Em 2015 apresentou 10 módulos comparáveis ao GSHS, reduzindo para cinco em 2019. Quanto à distribuição dos fatores de risco e proteção para a saúde, observaram-se as seguintes prevalências: 26,9% consumiam frutas frescas ou salada de frutas; 28,8% consumiam verduras e legumes; 97,3%, ultraprocessados; 17,2% bebiam refrigerante; 28,3% praticavam atividade física; 53,1% apresentaram sedentarismo; 26,9% experimentaram Narguilé e 16,8% cigarro eletrônico; 6,8% eram tabagistas e 28,1% etilistas ativos; 5,2% usaram drogas ilícitas nos 30 dias anteriores à pesquisa. Entre 2015 e 2019 houve redução do consumo de frutas frescas; verduras e legumes; refrigerante; guloseimas doces e prática de atividade física, além do aumento da embriaguez. Os achados deste estudo evidenciam a importância da PeNSE para o sistema de vigilância em saúde dos adolescentes, caracterizando-a como fonte de dados de diversas pesquisas realizadas, no entanto, mudanças em sua estrutura e questionário do aluno comprometem o uso de seus resultados, sobretudo na realização de comparações. Ainda assim, a PeNSE consolidou-se como o principal componente do sistema de vigilância em saúde dos adolescentes brasileiros, fornecendo dados que permitem nortear ações e políticas de promoção e proteção da saúde desse grupo populacional.

Abstract

Assunto

Vigilância em Saúde Pública, Adolescente, Fatores de Risco, Fatores de Proteção, Serviços de Saúde Escolar

Palavras-chave

Vigilância em saúde, Adolescência, Fator de risco, Fator de proteção, Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar

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