“Ser Trabalhadora Produtiva é antes um azar”: a expansão da exploração capitalista sobre o trabalho reprodutivo
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Mirla Cisne Álvaro
Vitor Bartoletti Sartori
Vera Aguiar Cotrim
Vitor Bartoletti Sartori
Vera Aguiar Cotrim
Resumo
A relação de (im)produtividade do trabalho reprodutivo é um debate que se faz constante no
campo do feminismo, uma vez que a questão da divisão sexual do trabalho e a da realização
das atividades de reprodução em uma esfera privada à margem da produção do valor – tidas
como responsabilidade da mulher – são constantemente relacionadas à opressão feminina.
Assim, muitos debates são realizados no que tange, por um lado, à questão da
(im)produtividade deste trabalho nas relações capitalistas de produção e, por outro, à
necessidade de socialização, assalariamento ou transferência destas atividades à esfera
produtiva como condição essencial à alteração nas relações de opressão vivenciadas pelas
mulheres no sistema de produção capitalista. Isto posto, este trabalho objetiva analisar o
desenvolvimento de um setor econômico no qual o trabalho envolvido no processo de
reprodução da força de trabalho é também produtor e criador de valor, constituindo relações
de exploração a partir de relações de opressão que, ao mesmo tempo, as reforça. Buscamos
ainda analisar as limitações das teorias que explicam o caráter produtivo do trabalho
reprodutivo em geral bem como discutir as potencialidades e limites da transformação do
trabalho reprodutivo em trabalho produtivo para uma real emancipação da mulher. Os dados
apresentados foram coletados por análises documentais e dados estatísticos secundários, e a
análise foi realizada a partir de uma perspectiva materialista histórica. Buscamos apreender e
realizar reflexões acerca das categorias trabalho, trabalho produtivo e improdutivo, trabalho
reprodutivo, opressão e exploração. Concluímos que as relações de opressão são engendradas
pelas e engendram as relações de exploração. Assim, a apropriação produtiva do trabalho
reprodutivo não necessariamente significa um avanço para a luta feminista e a emancipação
das mulheres, pois ela expressa mais uma fonte de exploração de força de trabalho pelo
capital, que, se permite a superação singular da opressão de algumas mulheres no cotidiano da
reprodução da vida de trabalhadoras e trabalhadores, não supera a condição de exploração que
engendra a universalidade de opressões sob o capitalismo, conforme as necessidades de
valorização do valor. Transformar essa condição de exploração em móvel de luta pela
emancipação humana é uma tarefa posta à classe trabalhadora que tem como horizonte a
superação de toda e qualquer forma de opressão. Colocamos, portanto, que a busca pela real
Emancipação da mulher, e ainda mais pela Emancipação Humana, implica a busca da
superação da alienação do trabalho e da alienação entre os sexos.
Abstract
The relation of (un)productivity of reproductive work is a constant debate in feminism, since
the issue of sexual division of labor and the performance of reproduction activities in a private
sphere on the fringes of value production. - taken as the women's responsibility - are
constantly related to female oppression. Thus, many debates are held regarding, on the one
hand, the issue of the (un)productivity of this work in the capitalist relations of production
and, on the other hand, the need for socialization, wage-earning or transfer of these activities
to the productive sphere as an essential condition for the change in the relations of oppression
experienced by women in the capitalist production system. That said, this paper aims to
analyze the development of an economic sector which the work involved in the process of
reproduction of the workforce is also a producer and creator of value, constituting exploitative
relations based on oppressive relations that, at the same time, reinforces them. We also seek to
analyze the theorie's limitations that explain the productive character of reproductive work in
general as well as discuss the potentialities and limits of the transformation of reproductive
work into productive work for a real emancipation of women. The data presented were
collected by documentary analysis and secondary statistical data, and the analysis was
performed from a historical materialistic perspective. We seek to apprehend and make
reflections on the categories work, productive and unproductive work, reproductive work,
oppression and exploitation. We conclude that the relations of oppression are engendered by
and engender the relations of exploitation. Thus, the productive appropriation of reproductive
labor does not necessarily mean a breakthrough for feminist struggle and women's
emancipation, as it expresses yet another source of labor-force exploitation by capital, which
allows the unique overcoming of some women's oppression in the daily reproduction of the
life of workers, it does not surpass the condition of exploitation that engenders the
universality of oppression under capitalism, according to the needs of value appreciation.
Transforming this condition of exploitation into struggle for human emancipation is a task put
to the working class whose horizon is to overcome any and all forms of oppression. We put,
therefore, that the search for the real Emancipation of women, and even more for Human
Emancipation, implies the search for overcoming the alienation of labor and the alienation
between the sexes.
Assunto
Trabalho, Mulheres, Condições sociais, Administração
Palavras-chave
Trabalho Produtivo e Improdutivo, Trabalho Reprodutivo, Opressão, Exploração, Emancipação