Na frente os cargueiros, no chão a soja, atrás o Matopiba e no subsolo a serpente: uma análise pluriescalar das relações multiespécie a partir da Resex Tauá-Mirim
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Thiago Mota Cardoso
Horácio Antunes de Sant'Ana Júnior
Everton Jubini de Merícia
Cíndia Brustolin
Frederico Canuto
Horácio Antunes de Sant'Ana Júnior
Everton Jubini de Merícia
Cíndia Brustolin
Frederico Canuto
Resumo
Esta tese analisa os conflitos territoriais e epistemológicos no Maranhão a partir de duas frentes:
a luta pela oficialização da Reserva Extrativista (Resex) Tauá-Mirim, em São Luís, e a expansão
da fronteira agrícola do Matopiba, no sul do estado. Com base em uma etnografia multiespécie,
busca-se compreender como humanos e não humanos (comunidades tradicionais, plantas, rios,
animais e organismos invisíveis) participam na produção dos territórios, revelando resistências
e reconfigurações diante das forças coloniais e capitalistas. A metodologia combinou pesquisa
bibliográfica, documental e trabalho de campo no Taim e em uma fazenda produtora de soja no
município de Açailândia, envolvendo entrevistas e observações. O diálogo com autores como
Anna Tsing e Antônio Bispo dos Santos ampliou o olhar para perspectivas que reconhecem a
vida em sua pluralidade e recusam a centralidade exclusiva do humano. Os resultados apontam
que, no Taim, o trabalho é prática coletiva vinculada à dimensão social e multiespécie, enquanto
no Matopiba a produção de soja busca a alienação e mostra-se vulnerável a agentes não
humanos, como os nematoides que desencadeiam a “soja louca”. Esses elementos revelam que
a expansão do capital nunca se dá de forma linear, mas em meio a resistências, instabilidades e
fricções. Conclui-se que a oficialização da Resex Tauá-Mirim não se restringe a um instrumento
jurídico, mas representa ato político de afirmação de modos de vida e cosmovisões não
subordinados à lógica mercantil. A partir da tese, entende-se que o Maranhão deve ser pensado
e olhado não apenas como espaço de extração, mas como território de invenção de futuros
possíveis e ancestrais.
Abstract
This thesis analyzes territorial and epistemological conflicts in the state of Maranhão from two
interconnected fronts: the struggle for the official recognition of the Tauá-Mirim Extractive
Reserve (Resex), in São Luís, and the expansion of the Matopiba agricultural frontier in the
southern region of the state. Based on a multispecies ethnography, it seeks to understand how
humans and non-humans—traditional communities, plants, rivers, animals, and invisible
organisms—participate in the production of territories, revealing forms of resistance and
reconfiguration in the face of colonial and capitalist forces. The methodology combined
bibliographical and documentary research with fieldwork conducted in Taim and on a soybeanproducing farm in the municipality of Açailândia, involving interviews and participant
observation. The dialogue with authors such as Anna Tsing and Antônio Bispo dos Santos
broadened the analytical perspective toward ways of knowing that recognize life in its plurality
and reject the exclusive centrality of the human. The results indicate that, in Taim, labor is a
collective practice linked to social and multispecies dimensions, whereas in Matopiba, soybean
production pursues alienation and proves vulnerable to non-human agents, such as the
nematodes that trigger the phenomenon known as “mad soybean.” These elements reveal that
capital expansion never unfolds linearly but rather through resistance, instability, and friction.
The study concludes that the officialization of the Tauá-Mirim Resex is not merely a legal
instrument but a political act affirming ways of life and worldviews not subordinated to
mercantile logic. Ultimately, the thesis argues that Maranhão should be conceived and
envisioned not merely as a space of extraction, but as a territory of invention—of possible and
ancestral futures.
Assunto
Conflito fundiário, Reserva Extrativista de Tauá- Mirim (MA)
Palavras-chave
Resex Tauá-Mirim; Matopiba; multiespécies; agronegócio