Detecção molecular e sorológica de Flavivirus emergentes em roedores e primatas: relação entre patógeno, hospedeiro e ambiente
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Resumo
A ocorrência de doenças infecciosas emergentes (DIE) vem aumentando nos últimos anos, sendo
essa emergência associada a determinantes sociais, econômicos e principalmente ambientais. A
maioria dessas doenças é de origem zoonótica e dentre os fatores de risco associados a essa
transmissão estão a oportunidade de contato e proximidade filogenética dos reservatórios e/ou
hospedeiros animais com seres humanos. Pelo fato dos roedores e primatas não humanos (PNHs)
serem amplificadores ou reservatórios de patógenos zoonóticos, e, em muitos locais, viverem em
contato próximo com a população humana e animais domésticos, estes animais podem atuar como
uma ponte entre o ambiente silvestre, o rural e o urbano. Em vista disso, esse projeto teve como
hipótese investigar a circulação de Dengue virus (DENV) em roedores e primatas bem como a
circulação de Yellow fever virus (YFV) em outros animais além dos primatas, sendo os roedores os
potenciais candidatos. A dengue representa, atualmente, uma das doenças mais importantes em
termos de morbidade, mortalidade e impacto econômico nacional. Em adição, o Brasil vivenciou
recentemente um dos maiores surtos de febre amarela da sua história, com mais de 800 casos
confirmados, uma taxa de letalidade superior a anos anteriores e ainda há um grande contigente
populacional sem a devida cobertura vacinal. Tendo em vista esse cenário, este trabalho visou a
prospecção de (DENV) e (YFV) em roedores e primatas não humanos coletados em ambientes de
florestas, urbanos e rurais. Através da prospecção molecular e sorológica foram analisadas amostras
clínicas de: pequenos roedores, grandes roedores como as capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) e
amostras de primatas não humanos. Não foram detectadas amostras positivas de roedores para DENV
e YFV, nem evidências da circulação de DENV em primatas. A ausência de detecção, comparada a
outros estudos, pode ser atribuída à diferença do número amostral das coleções analisadas, às
espécies analisadas e locais de coleta que poderiam estar refletindo diferentes condições ecológicas
de cada área analisada. Em relação à prospecção molecular do vírus da febre amarela em primatas,
foram detectados dois animais positivos. Ambos os animais são da espécie Callicebus personatus e
foram coletados durante o surto de febre amarela no estado de Minas Gerais. Análises filogenéticas
demonstraram que essas amostras se agrupam junto ao genótipo Sul Americano 1, sendo mais
proximamente relacionadas com as amostras caracterizadas no último surto de febre amarela
vivenciado no Brasil. Além disso, a necropsia de vários órgãos demonstrou alterações macroscópicas
compatíveis com a infecção pelo YFV. Os dados moleculares associados aos dados macroscópicos
contribuem para preencher algumas lacunas relacionadas à carência de informação no que diz
respeito ao curso da infecção em primatas não humanos. Uma correlação espaço temporal entre casos
humanos e epizootias de YFV em Minas Gerais em 2017, demonstrou uma sobreposição de casos e
que estes se agrupam em 2 clusters que ocorreram, principalmente, em regiões com baixa cobertura
vacinal, apontando para uma necessidade de melhores ações de vigilância e políticas de prevenção.
A prospecção sorológica de Flavivirus em primatas não humanos, evidenciou que um dos animais
analisados apresentou anticorpos anti-flavivirus, indicando assim um contato prévio desse animal
com virus.
Abstract
The occurrence of emerging infectious diseases (EID) has been increasing in recent years, and this
emergence is associated with social, economic, and mainly environmental determinants. Most of
these diseases are of zoonotic origin and among the risk factors associated with this transmission are
the opportunity for contact and phylogenetic proximity of reservoirs and / or animal hosts with
humans. Rodents and non-human primates are amplifiers or reservoirs of zoonotic pathogens, and in
many places live in close contact with the human population and domestic animals, these animals can
act as a bridge between the wild, urban. In this way, this project hypothesized the circulation of
DENV in rodents or primates as well as the circulation of yellow fever in other animals besides
primates, with rodents being the candidate animals. Dengue is currently one of the most important
diseases in terms of morbidity, mortality and national economic impact. In addition, Brazil has
recently experienced one of the largest outbreaks of yellow fever in its history, with more than 1000
confirmed cases, a case fatality rate higher than previous years, and there is still a large population
contingent without adequate vaccine coverage. Considering this scenario, this study aimed to
prospect for Dengue virus (DENV) and Yellow fever virus (YFV) in rodentia and non-human
primates collected in forest, urban and rural environments. Through molecular and sorological
prospecting of samples from small rodents, capybaras (Hydrochoerus hydrochaeris) and samples of
non-human primates were analyzed. No positive rodent samples were detected for DENV and YFV,
and no evidence of DENV circulation in primates. The absence of detection, compared to other
studies, can be attributed to the difference in the sample number of the analyzed collections, the
species analyzed and the collection sites that could be reflecting different ecological conditions of
each analyzed area. In relation to prospecting for yellow fever in primates, two positive animals were
detected. Both animals are of the species Callicebus personatus and were collected during the
outbreak of yellow fever in the state of Minas Gerais. Phylogenetic analyzes constructed through 205
bp of NS5 and 945 bp of the CprM region demonstrated that these samples are grouped together with
the South American genotype 1, being more closely related to the samples characterized during the
current outbreak of yellow fever experienced in Brazil. In addition, necropsy of several organs have
shown macroscopic changes, compatible with YFV viral infection. The molecular data associated
with macroscopic data contribute to fill some gaps related to the lack of information regarding the
course of infection in non-human primates. A temporal correlation between human cases and YFV
epizootics in Minas Gerais in 2017 demonstrated an overlap of cases and that these clusters are
grouped in 2 clusters that occurred mainly in regions with low vaccination coverage, pointing to a
need for better surveillance and prevention policies. Serological survey of Flavivirus in non-human
primates showed that one of the animals tested showed anti-flavivirus antibodies, thus indicating a
previous contact of this animal with virus.
Assunto
Microbiologia, Viroses, Flavivirus, Vírus da dengue, Vírus da febre amarela, Roedores
Palavras-chave
Viroses emergentes, Flavivirus, Dengue virus, Yellow fever virus, Rodentia, Primatas não humanos
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