Belo Horizonte: percebendo a cidade a partir da vegetação urbana
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Sônia Maria Carvalho Ribeiro
Douglas Sathler dos Reis
Douglas Sathler dos Reis
Resumo
Como resultado do processo de urbanização, a vegetação natural foi um dos componentes ambientais mais impactados, com perda da cobertura e alteração da estrutura e composição florística, isoladas em fragmentos na malha urbana. A biodiversidade no planejamento urbano, oferece tratamentos diferenciados, mediante as relações de poder, que dão lugar a uma determinada distribuição dos atributos do meio ambiente e recursos naturais. Nesse contexto, a pesquisa avaliou a partir do NDVI (Índice de Vegetação com Diferença Normalizada) a densidade da cobertura vegetal do município de Belo Horizonte, entre os anos de 1984 e 2021, a fim de avaliar sua dinâmica no processo de urbanização da cidade. Os dados demonstram que houve significativa de vegetação em todo o município e ocorre com efeito que se estende espacialmente e de forma desigual no território intraurbano, com as áreas verdes protegidas exercendo papel fundamental na manutenção da vegetação ao longo do período analisado. Partindo-se da premissa que as desigualdades internas das cidades são expressões de um caráter da mudança física e ambiental de fluxos e práticas socioambientais e dependentes das condições históricas, culturais, políticas ou econômicas, este artigo tem como objetivo avaliar se aspectos sociais e econômicos influenciam na distribuição espacial da densidade de vegetação na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. A densidade da vegetação foi estimada por meio do NDVI (Índice de Vegetação com Diferença Normalizada) da imagem Landsat 5 para o ano de 2010 e analisada a partir do Índice de Moran Global (Moran’s I) e Local (LISA), demonstrando que a vegetação ocorre com efeito que se estende espacialmente e de forma desigual no território intraurbano. Os dados da vegetação também foram correlacionados a partir da Análise de Regressão Espacial Geograficamente Ponderado (GWR), com dados sociais e econômicos do censo IBGE (2010). Os resultados demonstram que a realidade socioeconômica explica parte da variabilidade da vegetação observada. As análises do GWR demonstram valores significativos (R2 maior que 0,70) ocorrendo em todo o espaço intraurbano, ocorrendo, contudo, de forma heterogênea, não existindo uma explicação geral, que se aplique a todo o município, sugerindo, portanto, efeitos na escala do lugar ou efeito bairro. Os resultados encontrados permeiam discussões de relações da densidade de vegetação com modelos de cidade compacta e cidade difusa, hierarquias da desigualdade social e racial, agricultura urbana e arborização viária, demonstrando a complexidade da relação ambiental no espaço urbano, refletida no atributo da vegetação.
Abstract
As a result of the urbanization process, natural vegetation has been one of the most
impacted environmental components, with loss of coverage and alteration of structure
and floristic composition, isolated in fragments within the urban area. Biodiversity in
urban planning offers differentiated treatments through power relations, which result in
a specific distribution of environmental attributes and natural resources. In this context,
the research evaluated the density of vegetation cover in the municipality of Belo
Horizonte between the years 1984 and 2021, using the Normalized Difference
Vegetation Index (NDVI), in order to assess its dynamics in the city's urbanization
process. The data demonstrate a significant loss of vegetation throughout the
municipality, occurring spatially and unevenly within the intra-urban territory, with
protected green areas playing a fundamental role in maintaining vegetation over the
analyzed period. Based on the premise that internal inequalities within cities are
expressions of physical and environmental changes in flows and socio-environmental
practices, and dependent on historical, cultural, political, or economic conditions, this
article aims to evaluate whether social and economic aspects influence the spatial
distribution of vegetation density in the city of Belo Horizonte, Minas Gerais. The
vegetation density was estimated using the NDVI (Normalized Difference Vegetation
Index) from Landsat 5 imagery for the year 2010 and analyzed using Global Moran's I
and Local Indicators of Spatial Association (LISA), demonstrating that vegetation
occurs with a spatially and unevenly extending effect within the intra-urban territory.
The vegetation data were also correlated using Geographically Weighted Regression
(GWR) analysis with social and economic data from the IBGE census (2010). The
results demonstrate that the socioeconomic reality explains part of the observed
vegetation variability. GWR analyses show significant values (R2 greater than 0.70)
occurring throughout the intra-urban area, but heterogeneously, without a general
explanation that applies to the entire municipality, suggesting place-scale effects or
neighborhood effects. The findings contribute to discussions on the relationship
between vegetation density and models of compact and dispersed cities, hierarchies
of social and racial inequality, urban agriculture, and street tree planting, demonstrating
the complexity of the environmental relationship in urban area, reflected in the attribute
of vegetation.
Assunto
. Vegetação urbana, Belo Horizonte (MG) – Aspectos sociais, Igualdade, Sensoriamento remoto, Análise de regressão
Palavras-chave
vegetação urbana, série histórica, desigualdade social, GWR, NDVI