Avaliação de exames laboratoriais de glicose, ureia, creatinina e marcadores de função hepática em pessoas iniciando terapia antirretroviral com dolutegravir ou efavirenz: estudo de coorte em Belo Horizonte-MG.
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Ariane Baratta Massini
Karine Silvestre Ferreira
Paulo Roberto Maia
Wendel Coura Vital
Karine Silvestre Ferreira
Paulo Roberto Maia
Wendel Coura Vital
Resumo
O Vírus da Imunodeficiência Humana/Síndrome da Imunodeficiência Adquirida é
considerado um problema de saúde global. A terapia antirretroviral melhorou de modo
significativo a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV. O uso dos
medicamentos que compõem a terapia antirretroviral para o HIV é de suma
importância para reduzir e manter a carga viral em níveis indetectáveis, melhorando a
qualidade de vida destas pessoas. Entretanto esses medicamentos não são isentos
de reações adversas e podem causar alterações metabólicas e comprometer a função
de órgãos e sistemas. Objetivou-se com este estudo monitorar os exames
laboratoriais de glicemia, ureia, creatinina, bilirrubina total, direta e indireta, aspartato
amino transferase, alanina amino transferase, gama glutamil transferase e fosfatase
alcalina em indivíduos virgens de tratamento, iniciando terapia antirretroviral com
esquema contendo efavirenz ou dolutegravir, buscando contribuir para o
entendimento da segurança desses medicamentos em uso no mundo real,
acompanhados por 72 semanas. Estudo de coorte, com o acompanhamento de
pessoas que vivem com HIV e iniciando terapia antirretroviral, realizado em Belo
Horizonte, Minas Gerais; com dados coletados entre agosto de 2015 a dezembro de
2018. Foram acompanhados 278 indivíduos no estudo dos exames de glicose, ureia
e creatinina e 234 indivíduos no estudo dos exames de função hepática. Dentre os
indivíduos que usaram dolutegravir, verificou-se aumento nos valores médios de
creatinina sanguínea em 24 (p<0,001) e 48 (p=0,012) semanas e glicose em 48
(p=0,017) e 72 semanas (p=0,019). Naqueles que usaram efavirenz, verificou-se
aumento nos níveis de creatinina em 48 semanas (p= 0,007), glicose em 72 semanas
(p=0,009) e ureia 48 semanas (p=0,023). Nas análises multivariadas pertencer ao
gênero masculino (p=0,044) foi um fator associado independentemente com aumento
na creatinina. Uso de tabaco (p=0,006), uso de drogas ilícitas (p=0,009) e
escolaridade maior ou igual a 13 anos de estudo, logo com maior idade (p=0,038)
foram independentemente associados com as alterações nos níveis de ureia. O
esquema terapêutico com efavirenz (OR = 8,20; IC 95% = 1,32-51,05; p=0,024) foi
independentemente associado com o aumento na concentração de glicose. Os
valores médios para os resultados dos exames bilirrubina total e indireta, aspartato
amino transferase, alanina amino transferase e fosfatase alcalina reduziram após 72
semanas de uso do tratamento para os dois esquemas estudados. A média do valor
para a bilirrubina direta daquelas pessoas em uso de EFV aumentou em 72 semanas,
quando compardo com a média do valor no início do acompanhamento, ficando acima
do valor de referência. Antes do tratamento, a média dos resultados para gama
glutamil transferase apresentou-se acima do valor de referência em ambos os grupos
de tratamento. Após o tratamento por 72 semanas com dolutegravir, a média retornou
ao valor de referência e, no caso do efavirenz, a média manteve-se elevada. Os
resultados do teste de Bonett para a variância e o teste de Dunnett para os exames
da função hepática não mostraram diferenças estatística para um nível de
significância de 5%. Isso indica que os dois esquemas terapêuticos estudados se
demonstraram seguros e não causam alterações em exames laboratoriais usados
como marcadores de função hepática.
Abstract
The Human Immunodeficiency Virus/Acquired Immunodeficiency Syndrome is
considered a global health problem. Antiretroviral therapy has significantly improved
the quality of life for people living with HIV. The use of the drugs that make up the
antiretroviral therapy for HIV is of paramount importance to reduce and maintain the
viral load at undetectable levels, improving the quality of life of these people. However,
these drugs are not free of adverse reactions and can cause metabolic changes and
compromise the function of organs and systems. The objective of this study was to
monitor the laboratory tests of blood glucose, urea, creatinine, total, direct and indirect
bilirubin, aspartate amino transferase, alanine amino transferase, gamma glutamyl
transferase and alkaline phosphatase in treatment-naïve individuals, initiating
antiretroviral therapy with a regimen containing efavirenz or dolutegravir, seeking to
contribute to the understanding of the safety of these drugs in use in the real world,
followed for 72 weeks. Cohort study, with the follow-up of people living with HIV and
initiating antiretroviral therapy, carried out in Belo Horizonte, Minas Gerais; with data
collected between August 2015 and December 2018. 278 individuals were followed in
the study of glucose, urea and creatinine tests and 234 individuals in the study of liver
function tests. Among individuals who used dolutegravir, there was an increase in
mean blood creatinine values at 24 (p<0.001) and 48 (p=0.012) weeks and glucose at
48 (p=0.017) and 72 weeks (p=0.019). In those who used efavirenz, there was an
increase in creatinine levels at 48 weeks (p=0.007), glucose at 72 weeks (p=0.009)
and urea at 48 weeks (p=0.023). In the multivariate analyses, being male (p=0.044)
was a factor independently associated with an increase in creatinine. Tobacco use
(p=0.006), illicit drug use (p=0.009) and schooling greater than or equal to 13 years of
schooling, therefore, older age (p=0.038) were independently associated with changes
in urea levels. The efavirenz regimen (OR = 8.20; 95% CI = 1.32-51.05; p=0.024) was
independently associated with an increase in glucose concentration. The mean values
for the results of the total and indirect bilirubin, aspartate amino transferase, alanine
amino transferase and alkaline phosphatase tests reduced after 72 weeks of treatment
for the two regimens studied. The mean value for direct bilirubin of those people using
EFV increased at 72 weeks, when compared with the mean value at the beginning of
the follow-up, being above the reference value. Before treatment, the mean results for
gamma glutamyl transferase were above the reference value in both treatment groups.
After 72 weeks of treatment with dolutegravir, the mean returned to baseline and, in
the case of efavirenz, the mean remained high. Bonett's test results for variance and
Dunnett's test for liver function tests showed no statistical differences at a significance
level of 5%. This indicates that the two therapeutic regimens studied proved to be safe
and did not cause changes in laboratory tests used as markers of liver function.
Assunto
Palavras-chave
Tratamento HIV, Terapia antirretroviral combinada, Dolutegravir, Efavirenz, Exames laboratoriais