Identidade e comando: por uma política da indeterminação
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Jailane Pereira da Silva
Igor Campos Viana
Igor Campos Viana
Resumo
Esta dissertação analisa as identidades como dispositivos normativos que funcionam como comandos, regulando possibilidades de ser e agir e naturalizando exclusões e hierarquias. Sob a aparência de descrições naturais ou verdades universais, as identidades impõem limites à pluralidade e reduzem a potência criativa da vida, frequentemente ancoradas em afetos passivos, como medo, ressentimento e submissão. A partir das reflexões de autores como Giorgio Agamben, Spinoza e Nietzsche, argumenta-se que a política identitária, quando opera na lógica do comando, reforça dinâmicas de controle e exclusão, mesmo ao reivindicar novas
categorias. Para transcender essa lógica, propõe-se a política da indeterminação, que rejeita a fixação de identidades e abraça a contingência e a pluralidade como princípios éticos e políticos fundamentais. Essa política se alicerça na mobilização de afetos ativos, como alegria e coragem, que ampliam a potência de agir e possibilitam a criação de novas formas de existência. Inspirada pela ontologia da potência, em contraste com a ontologia do comando, a política da indeterminação busca desativar dispositivos normativos e fomentar um horizonte político e ético onde a vida possa florescer sem os entraves impostos pelas normas do passado. Por meio de uma análise crítica e criativa, a dissertação defende que a transformação política não reside na simples substituição de normas, mas na criação de condições que permitam a emergência de formas de vida mais livres, plurais e inclusivas. Esse percurso reafirma o papel dos afetos e da filosofia na construção de novas linguagens e conceitos capazes de sustentar uma ética da
abertura e da experimentação.
Abstract
This dissertation analyzes identities as normative devices that function as commands, regulating possibilities of being and acting while naturalizing exclusions and hierarchies. Presented as natural descriptions or universal truths, identities impose limits on plurality and reduce the creative potential of life, often anchored in passive affects such as fear, resentment, and submission. Drawing on the reflections of authors such as Giorgio Agamben, Spinoza, and Nietzsche, it is argued that identity politics, when operating under the logic of command, reinforces dynamics of control and exclusion, even when claiming new categories. To transcend this logic, the dissertation proposes a politics of indeterminacy, which rejects the fixation of identities and embraces contingency and plurality as fundamental ethical and political principles. This politics is grounded in the mobilization of active affects, such as joy and generosity, which expand the capacity to act and enable the creation of new forms of existence. Inspired by the ontology of potentiality, in contrast to the ontology of command, the politics of indeterminacy seeks to deactivate normative devices and foster a political and ethical horizon where life can flourish without the constraints imposed by past norms. Through critical and creative analysis, the dissertation argues that political transformation does not lie in the mere substitution of norms but in creating conditions that allow for the emergence of freer, more plural, and inclusive forms of life. This path reaffirms the role of affects and philosophy in constructing new languages and concepts capable of sustaining an ethics of openness and experimentation.
Assunto
Direito - Filosofia, Identidade, Ciência política - Filosofia, Linguagem
Palavras-chave
Identidade, Comando, Afetos, Política da indeterminação, Linguagem