Utilização de sensores inerciais de baixo custo para avaliações biomecânicas, reconhecimento de ações e monitoramento nos esportes coletivos

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Nos últimos anos, novas tecnologias tais como unidades de medida inercial (UMI) têm sido introduzidas em pesquisas aplicadas nas ciências do esporte, bem como treinos e competições. A utilização de UMI tem se apresentado como uma área promissora nas ciências do esporte para: (1) análises biomecânicas; (2) classificação de ações e predição de variáveis por métodos de aprendizado de máquina; e (3) quantificação da demanda física de treinos e competições, logo, três experimentos foram conduzidos abordando tais finalidades. Experimento I – Analisou-se a validade (concordância entre métodos de medição) e confiabilidade teste – reteste (consistência de medida entre dias) de utilização de UMI quando comparada a dispositivos de referência, para duas tarefas distintas: (A) Saltos verticais padronizados – UMI contra uma plataforma de força e um encoder linear para estimação do tempo de vôo, altura de salto e impulso; e (B) Sprints de 30 metros – UMI contra um encoder rotatório (Race Encoder - RE) para estimação da velocidade média e máxima de corrida. Ao todo 20 indivíduos foram recrutados para realizar as tarefas de saltos padronizados (saltos agachados – SA e saltos com contramovimento – SCM: 17,35 ± 2,28 anos; 60,99 ± 8,87 kg; 169,30 ± 9,30 cm) e 19 indivíduos para os sprints (17,42 ± 2,32 anos; 61,45 ± 8,86 kg; 169,74 ± 9,35 cm), em duas sessões separadas. As UMI de baixo custo testadas apresentaram estimações válidas para o tempo de vôo, altura de salto e impulso quando comparadas à plataforma de força e encoder linear, com elevada confiabilidade teste – reteste entre dias para o SA e SCM. Adicionalmente, apesar de uma significativa subestimação da velocidade média de sprints, a velocidade máxima estimada por UMI mostrou concordância quando comparada com o encoder rotatório (Race Encoder®). Logo, estimações válidas e com aceitável repetibilidade foram proporcionadas pela UMI para a velocidade média e máxima de sprints. Experimento II – O desempenho de classificação de ações locomotoras comuns aos esportes coletivos (circuito simulado com a utilização de UMI) foi avaliado através de métodos de aprendizado de máquina. Para o emprego de características obtidas de acelerômetros isoladamente, os classificadores treinados e testados (Decision Trees, k - Nearest Neighbors, Support Vector Machines, Ensemble, Neural Networks) evidenciaram menor sensibilidade de detecção para as ações de corrida de intensidade moderada e MMD. Entretanto, a combinação de sensores (acelerômetros e giroscópios) e agregação de diferentes tipos de características extraídas (estatísticas descritivas, customizadas e medidas de análise de séries temporais) apresentou melhor acurácia geral, sensibilidade, especificidade e precisão de classificação para o algoritmo k-NN “fine” (>90%), comparado ao emprego isolado de acelerômetros, nas ações de permanecer estático, marcha, corrida de intensidade leve, corrida de intensidade moderada, sprints com desaceleração, SCM e movimentos de mudança de direção (MMD). Experimento III – Identificar como as variáveis obtidas por UMI durante jogos no handebol agrupam – se em fatores e podem ser sumarizadas para avaliar a magnitude das demandas físicas a partir das novas variáveis construídas. Ao todo 14 atletas amadores foram monitorados com o uso de UMI em três jogos consecutivos no handebol. O emprego de procedimentos de redução da dimensionalidade a partir das variáveis originais quantificadas com o uso de UMI, evidenciou de 2 a 3 componentes e fatores retidos, com variância explicada maior que 85%. As componentes e fatores de maior variância explicada (> 65%) representam em geral indicadores úteis para monitorar e entender a magnitude da demanda física no handebol. Em síntese, a utilização de unidades de medida inercial de baixo custo para análises de saltos verticais padronizados (tempo de vôo, altura de salto e impulso) e sprints (velocidade máxima e média) mostrou validade e repetibilidade quando comparada às medidas de referência adotadas. Os algoritmos de classificação treinados e testados mostraram menor sensibilidade de identificação de eventos para a corrida moderada e MMD (acelerômetro isolado). No entanto, a combinação de sensores e agregação de características extraídas mostrou melhor acurácia de classificação para o algoritmo k-NN (>90%) para todas as ações estudadas em ambas as etapas de treinamento e teste. Por fim, a utilização de UMI associada a métodos de redução da dimensionalidade mostrou que as componentes e fatores de maior variância explicada permitem a avaliação da magnitude das demandas físicas no handebol. As componentes e fatores de menor variância explicada orientam para um indicador para potencial ocorrência lesões. Em complemento, um conjunto de 2 a 3 combinações lineares e fatores foram retidas. Adicionalmente, a ponderação dos autovalores das combinações e fatores retidos para fornecer uma perspectiva geral da demanda física no handebol.

Abstract

In recent years, new technologies such as inertial measurement units (IMU) have been introduced in applied research in sport sciences, as well as training and competition. The use of IMU has been presented as a promising area in the sport sciences for: (1) biomechanical analyses; (2) classification of actions and prediction of variables by machine learning methods; and (3) quantification of training and competition physical demand, therefore, three experiments were conducted addressing these purposes. Experiment I – We analyzed the validity (agreement between measurement methods) and test-retest reliability (consistency of measurement between days) of the use of IMU when compared to reference devices, for two different tasks: (A) Standardized vertical jumps – IMU against a force platform and a linear encoder to estimate flight time, jump height and impulse; and (B) 30-meter sprints – IMU against a rotary encoder (Race Encoder - RE) to estimate mean and maximum running velocity. A total of 20 individuals were recruited to perform standardized jumping tasks (squat jumps – SJ and countermovement jumps – CMJ: 17.35 ± 2.28 years; 60.99 ± 8.87 kg; 169.30 ± 9.30 cm) and 19 individuals for sprints (17.42 ± 2.32 years; 61.45 ± 8.86 kg; 169.74 ± 9.35 cm), in two separate sessions. The tested low-cost IMU presented valid estimates for flight time, jump height and impulse when compared to the force platform and linear encoder, with high test-retest reliability between days for the SJ and CMJ. Additionally, despite a significant underestimation the mean velocity of sprints, the maximum speed estimated by UMI showed agreement when compared with the rotary encoder (Race Encoder®). Therefore, valid estimates with acceptable repeatability were provided by the UMI for the mean and maximum velocity of sprints. Experiment II – The classification performance of locomotor actions common to the team sports (simulated circuit using UMI) was evaluated using machine learning methods. For the use of characteristics obtained from accelerometers (alone), the trained and tested classifiers (Decision Trees, k - Nearest Neighbors, Support Vector Machines, Ensemble, Neural Networks) showed lower detection sensitivity for moderate intensity running actions and change of direction (COD). However, the combination of sensors (accelerometers and gyroscopes) and aggregation of different types of extracted features (descriptive statistics, custom statistics, and time series analysis measures) showed better overall accuracy, sensitivity, specificity, and classification accuracy for the k-NN algorithm “fine” (>90%), compared to the isolated use of accelerometers, in the actions of remaining static, walking, light intensity running, moderate intensity running, sprints with deceleration, CMJ and COD. Experiment III – To identify how the variables obtained by UMI during handball games are grouped into factors and can be summarized to assess the magnitude of the physical demands from the new constructed variables. A total of 14 amateur athletes were monitored using UMI in three consecutive handball games. The use of dimensionality reduction procedures from the original variables quantified using UMI, showed 2 to 3 components and retained factors, with explained variance greater than 85%. The components and factors with the highest explained variance (> 65%) generally represent useful indicators for monitoring and understanding the magnitude of the physical demand in handball. In summary, the use of low-cost IMU for the analysis of standardized vertical jumps (flight time, jump height and impulse) and sprints (maximum and mean velocity) showed validity and repeatability when compared to the adopted reference measurements. The trained and tested classification algorithms showed lower event identification sensitivity for moderate running and MMD (accelerometer only). However, the combination of sensors and aggregation of extracted features showed better classification accuracy for the k-NN algorithm (>90%) for all studied actions in both training and testing stages. Finally, the use of UMI associated with dimensionality reduction methods showed that the components and factors of greater explained variance allow the assessment of the magnitude of physical demands in handball. The components and factors with the lowest explained variance lead to an indicator for the potential occurrence of microlesions. In addition, a set of 2 to 3 linear combinations and factors were retained. Additionally, the weighting of the eigenvalues of the combinations retained to provide an overview of the physical demand in handball.

Assunto

Esportes, Biomecânica, Reprodutibilidade dos testes

Palavras-chave

Unidades de Medida Inercial, Validação de critério, Aprendizado de máquina, Classificação de movimentos, Monitoramento esportivo, Esportes coletivos

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