Notas sobre os suicídios : a vida imantada
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
De acordo com dados publicados pela OMS em 2014 em diversos países do mundo o suicídio se encontra entre as dez causas de morte mais frequentes e o registro de tentativa de suicídio alcança também números exorbitantes, mas presume-se que o número real de tentativas ultrapasse muito o registrado. Diante deste importante dado de saúde pública e principalmente da constatação de um sofrimento psíquico que se apresenta de uma forma específica, o presente trabalho pretende fazer os seguintes questionamentos: Qual é o ponto, do funcionamento psíquico que, diante do sofrimento, determinaria a “escolha” subjetiva de uma saída pela via da vida ou pela via da morte? Sendo a morte um ato tão radical, o que poderia estar por trás de sua aparência, daquilo que ela evidencia como destruição,
interrupção da vida? Tomando a psicanálise como alicerce dos caminhos escolhidos para
serem trilhados neste trabalho, inicialmente faz-se uma reflexão sobre o conceito de pulsão de
morte e seu papel no suicídio: seria ela justamente a motivadora do suicídio, ou poderia esse
ser tomado como a manifestação por excelência desta pulsão, da tendência ao inorgânico, à
inexistência. Faz-se um percurso de complexificação do conceito passando por Freud, Lacan
(na leitura de Garcia Roza) e Laplanche. Posteriormente outro caminho é apontado para a
reflexão acerca do suicídio: e se o suicídio não fosse necessariamente uma manifestação da
morte? Se não fosse necessariamente (auto)destrutivo? E se o suicídio estivesse mais a serviço
de elementos de vida, da permanência, da preservação, do que ele pode evidenciar? Essas
investigações levaram a compreensões importantes para a clínica com esses pacientes.
Percebe-se que na tentativa de sucídio uma possibilidade compreensão é que os ataques
pulsionais internos ao sujeito, em direção a sua própria rede egóica pode parecer (ao sujeito)
mais ameaçador que a morte real, desta forma a saída pela via da morte real aparece como a
própria preservação do Eu. Compreende-se também que a função do outro como alteridade e
nomeador de sentido para o outro pode ser determinante para uma saída alternativa à morte.
O amor e o cuidado endereçados ao sujeito podem criar uma imantação do Eu, e desta forma
facilitar ou até mesmo proporcionar outras formas menos mortíferas de elaboração psíquica.
Abstract
Assunto
Suicídio, Psicanálise, Saúde pública
Palavras-chave
Suicídio, Saúde pública, Psicanálise, Preservação do Eu