Avaliação do potencial de transmissibilidade de leishmaniose visceral em primatas-não-humanos de cativeiro da região metropolitana de Belo Horizonte – MG
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Evaluation of the transmissibility potential of visceral leishmaniasis in captive nonhuman primates in the metropolitan region of Belo Horizonte - MG
Primeiro orientador
Membros da banca
Marcelo Pires Nogueira de Carvalho
Edelberto Santos Dias
Edelberto Santos Dias
Resumo
A leishmaniose é uma zoonose de importância mundial. No Brasil, a leishmaniose visceral é uma
doença endêmica, causada pela Leishmania infantum (sinonímia Leishmania chagasi) e
transmitida principalmente pelo flebotomíneo da espécie Lutzomyia longipalpis. Primatas nãohumanos
podem se infectar com L. infantum, porém, pouco se sabe sobre o papel dessas espécies
como reservatórios. Neste estudo foi realizado xenodiagnóstico de 52 primatas não-humanos
mantidos em cativeiro em Belo Horizonte, região endêmica para leishmaniose visceral. Todos os
animais foram testados sorologicamente para leishmaniose e foi realizado qPCR nos
flebotomíneos utilizados no xenodiagnóstico para a identificação e quantificação das
promastigotas de L. infantum. Oito dos 52 primatas não-humanos foram positivos para L.
infantum no xenodiagnóstico, incluindo três Pan troglodytes, três Leontopithecus rosalia, um
Sapajus apella e um Miopithecus talapoin, dentre eles sete eram também sorologicamente
positivos para Leishmania spp.. A quantidade de promastigotas/μg de DNA variou de 5,67 a
1.181,93. Os animais positivos também apresentaram maior titulação de IgG anti-saliva de Lu.
longipalpis quando comparados com os animais negativos, antes da realização do
xenodiagnóstico. As espécies de primatas-não-humanos estudadas se mostraram capazes de
infectar flebotomíneos da espécie Lu. longipalpis com L. infantum, demonstrando um potencial
como reservatório podendo atuar na manutenção deste agente em regiões endêmicas. Nossos
achados também reforçam a importância dos primatas não-humanos como sentinelas de zoonoses
e esse estudo tem importância direta com estratégias de saúde pública e na medicina da
conservação.
Abstract
Leishmaniasis is a zoonotic disease of worldwide relevance. In Brazil, visceral leishmaniasis is
endemic and caused by Leishmania infantum (synonym Leishmania chagasi) with Lutzomyia
longipalpis being the most important invertebrate vector. Non-human primates can be infected
with L. infantum, however, little is known about the role of these species as reservoirs. Fifty two
non-human primates kept in captivity in Belo Horizonte, an endemic area for visceral
leishmaniasis, were subjected to xenodignosis. Anti-Leishmania serologic tests were performed
on all animals included in the study. Sand flies fed on all animals were tested by qPCR to identify
and quantify L. infantum promastigotes. Eight of the 52 non-human primates were positive by
xenodiagnosis, including three Pan troglodytes, three Leontopithecus rosalia, one Sapajus apella,
and one Miopithecus talapoin, and seven of them were also positive at serology. Estimated
numbers of 5.67 to 1,181.93 promastigotes/μg of DNA were observed. Positive animals had
higher levels of IgG anti-Lu. longipalpis saliva when compared to negative animals, prior to
xenodiagnosis. Captive non-human primates are capable of infecting Lu. longipalpis with L.
infantum, been a potential reservoir and possible playing a role in the maintenance of this agent
in the environment in endemic areas. Our findings also demonstrate the relevance of non-human
primates as sentinels to zoonotic diseases. This study has implications for public health strategies
and under a conservation medicine perspective.
Assunto
Zoonoses
Palavras-chave
xenodiagnóstico, leishmaniose, flebotomíneos, zoonoses, animais selvagens