Características da vizinhança e participação social na ocorrência de sintomas depressivos em adultos mais velhos residentes em áreas urbanas: estudo ELSI-Urbe
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Neighborhood characteristics and social participation in the occurrence of depressive symptoms in older adults living in urban areas: the ELSI-Urbe study
Primeiro orientador
Membros da banca
Helena Moraes Cortes
Sergio William Viana Peixoto
Bruno Pereira Nunes
Vanessa Moraes Bezerra
Sergio William Viana Peixoto
Bruno Pereira Nunes
Vanessa Moraes Bezerra
Resumo
Introdução: Os sintomas depressivos são um desafio à promoção do envelhecimento saudável,
em especial em países de renda média e baixa, que relatam acelerado envelhecimento
populacional concomitantemente ao crescimento das populações urbanas, em meio a processos
de urbanização marcados por desigualdades estruturais. Estudos demonstram a importância de
investigar a associação entre sintomas depressivos com a percepção da vizinhança e a
participação social entre adultos mais velhos em países de renda média e baixa, e compreender
como as desigualdades de gênero, raça e renda modulam essas exposições. Objetivo: Analisar
as diferenças na percepção da vizinhança segundo raça/cor, renda domiciliar per capita e gênero
e a associação dos sintomas depressivos com a percepção da vizinhança e a participação social
entre brasileiros adultos mais velhos residentes em áreas urbanas. Método: Incluíram-se
informações de 7.935 (84,3%) residentes em áreas urbanas participantes da linha de base do
ELSI-Brasil (≥ 50 anos). No artigo 1 (7.357 participantes) foram exploradas as diferenças de
gênero, raça/cor e renda domiciliar per capita na percepção da vizinhança por meio das
estimativas de prevalências ajustadas por idade e/ou sexo. Com base na literatura e nos
resultados, foi construída uma matriz de processos críticos. Nos artigos 2 e 3 foram investigadas
a associação entre sintomas depressivos (avaliados pela 8-item Center for Epidemiologic
Studies–Depression Scale), a percepção da vizinhança (7.115 participantes) e níveis de
participação social (6.903 participantes), respectivamente. Foram realizadas análises
univariadas e múltiplas utilizando regressão de Poisson, ajustadas por características
sociodemográficas e de saúde, para a amostra total e por sexo. Resultado: A prevalência de
sintomas depressivos foi de 34,9%, sendo 43,8% e 24,5% entre mulheres e homens.
Observaram-se associações entre o aumento na prevalência de sintomas depressivos e
problemas de mobilidade urbana, poluição sonora, desordem física, violência, sensação de
insegurança, ausência de agradabilidade do bairro e de coesão social para o total da amostra e
entre as mulheres. Entre os homens, exceto sensação de insegurança, as demais associações
foram significativas. Mulheres, pardos e pretos e aqueles com renda média ou baixa
apresentaram piores percepções da vizinhança. Em relação à participação social, identificou-se
redução nas prevalências de sintomas depressivos entre participantes que relataram atividades
de nível 1 (sozinho, ambiente domiciliar), 2 (em paralelo a outros, fora do ambiente doméstico),
3 (coletivo orientada socialmente), 4 (coletivo orientada por objetivo comum) e 6 (coletivo
orientada para contribuir com a sociedade em geral). Quando estratificada por gênero, a
associação manteve-se significativa para mulheres nos níveis 1 a 4 e para os homens somente
no nível 1. Conclusão: A promoção do envelhecimento saudável no Brasil exige intervenções
urbanas que enfrentem as desigualdades estruturais de gênero, raça/cor e renda. A
requalificação dos espaços urbanos deve priorizar melhorias na mobilidade e na infraestrutura
das vizinhanças. Paralelamente, é fundamental fortalecer a coesão social e estimular a
participação comunitária, criando ambientes urbanos age-friendly. Essas medidas combinadas
podem promover maior equidade nas condições físicas e sociais das diferentes vizinhanças,
melhora na qualidade de vida, corroborando a redução na prevalência de sintomas depressivos
entre adultos mais velhos.
Abstract
Introduction: Depression symptoms challenge the healthy aging promotion, particularly in
countries with low average income where the population is aging, the urban population is
growing, and urbanization processes are defined by structural inequalities. Studies have proved
it is important to investigate the association of depressive symptoms; and neighborhood
perception; and social participation among elders in both low- and average-income countries.
It is also important to understand how gender, race, and income inequalities frame these aspects.
Objective: To analyze differences in neighborhood perception based on race/color, per capita
household income, and gender, and the association of depressive symptoms with neighborhood
perception and social participation on Brazilian elders living in urban areas. Method:
Information of 7,935 (84.3%) urban area (fifty-year-old or older) residents was gathered from
ELSI-Brasil. On the first article, with 7,357 participants, differences of gender, race/color and
per capita household income in neighborhood perception were explored through prevalence
estimates adjusted by age and/or sex. A matrix of critical processes was created based on the
literature and the results. On the second and third articles, the association of depressive
symptoms (evaluated through the 8-item Center for Epidemiologic Studies–Depression Scale),
the neighborhood perception (7,115 participants), and the levels of social participation (6,903
participants), were studied. Univariate and multiple analyses were performed using Poisson
regression, adjusted for sociodemographic and health characteristics for the total sample and by
sex. Results: The prevalence of depressive symptoms was 34.9%, 43.8% among women and
24.5% among men. Associations between the increased prevalence of depressive symptoms
and problems with urban mobility, noise pollution, physical disorder, violence, insecurity
feelings, lack of neighborhood pleasantness and social cohesion were observed for the total
sample and among women. Except for insecurity feelings, the other associations were
significant among men. Women, brown and black people with both low and average income
have shown the worst neighborhood perception. Regarding social participation, a reduction in
the prevalence of depressive symptoms was identified among participants who reported level 1
activities (alone, at home), 2 (in parallel with others, outside their homes), 3 (socially oriented
collective), 4 (collective oriented towards a common goal), and 6 (collective oriented towards
contributing to society in general). When stratified by gender, the association remained
significant for women at levels 1 to 4 and for men only at level 1. Conclusion: Healthy aging
promotion in Brazil requires urban interventions that address structural inequalities of gender,
race/color, and income. The rebuilding of urban spaces must prioritize improvements on
mobility and infrastructure in neighborhoods. It is also fundamental to strengthen social
cohesion and encourage community participation by creating age-friendly urban environments.
These combined actions may promote greater equity regarding the physical and social
conditions in different neighborhoods, improve life quality, and contribute to a reduction in the
prevalence of depressive symptoms among elders.
Assunto
Depressão, Características da Vizinhança, Participação Social, Envelhecimento, Saúde da População Urbana, Fatores Socioeconômicos, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Sintomas depressivos, Envelhecimento, Ambiente da Vizinhança, Desigualdade social, Participação Social, Saúde Coletiva, Saúde Urbana
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